chegam da rede
as mangas à praia
correm os pescadores
aos bordões
amparam a rede
para que se não abra
fuja o peixe
é preciso manter as mangas
no ar
arregaçadas as próprias
calejadas mãos
esforçados dorsos
esperam do saco
a benção
do carapau
pedra a pedra
o silêncio
vai crescendo
as mãos ambas
o constroem
pedra a pedra
as vozes estão mais longe
as palavras
escalam os muros
pedra a pedra
pedra
a
pedra