nada
nada mais ficará que o silêncio a arte do tempo tudo cobrirá nos arquivos um nome morto ele também jazente em arquivo nada mais ficará nada mais nada
o “Poema VIII” faz parte do conjunto “MELODIA” (1932) inserto no livro “Poesia I”
“Poema” faz parte do livro “O Nome das Árvores”
um inédito de manuel silva-terra
o poema (s/t) faz parte do livro “A Pele”
o poema “NUM ANO SURREALISTA” faz parte de “Oral messages” do livro “A Coney Island of the mind”, e foi traduzido para a colectânea ” Como eu costumava dizer” publicada em portugal em 1972
40 anos

quarenta anos quantos quilómetros são os nomes somam-se e desaparecem como os amores os poemas os livros as paixões as febres de todas as noites menos às segundas o porquê sabe quem lá andou os cafés os cinemas o teatro a música e um amigo ao ouvir as palmas no fim do concerto a perguntar a quem bate esta gente palmas ao autor ou ao intérprete quarenta anos quantos quilómetros são manel ari pedro bustorff elisa nicolau mila saldanha vasquinho virgilio luís miranda ml e o boi negro do júlio fortemente aurelino paulo archer bandeirinha os galifões pinto vitor gordo calado todos os que não lembro e os que são para esquecer o dr joaquim namorado o professor doutor orlando de carvalho porque não se a voz ainda a oiço o soveral a centelha a rua das matemáticas o 40 a fenda os folhetos os livrinhos as sessões ao vivo e ao que viesse tropical piolho moçambique pigalle praça da república sempre etc barmácia pinto douro faculdade de ciências de letras de dia de noite a qualquer hora as letras meu deus e as ciências que não eram exactas mas eram coimbra até às tantas tantas que nem sei quantas quarenta anos quantos quilómetros foram digam-me minhas santas
(escrito às 02h de 16/03/2021, na figueira da foz)