postais da ria (543)
poemas de amor
gostava de os escrever
e de os entregar
aos senhores da guerra
aos donos da economia
assassinos de crianças
escorrem-me pelo rosto
amargura e vergonha
raiva e impotência
merda álvaro
também eu sou lúcido
não não sou daqui
recuso-me a ser
poemas de amor
não sei escrever
(porto de abrigo; torreira; 2009)
“A linha do horizonte” de maria azenha
os moliceiros têm vela (559)
o meu reino não é
deste mundo
dizem que disseste
abro parêntesis
gosto muito de ler
vivo tudo o que leio
fecho parêntesis
olha meu caro
embora não tenha reino
e seja apenas aposentado
também não sou deste mundo
expulsaste os vendilhões
do templo dizem
melhor fora não que agora
não há templo que lhes baste
as águas por onde dizem
que andaste agora são
de sangue e não há peixes
pequenos só tubarões
abro parêntesis
não voltes outra vez
deixa-te estar sossegado
em belém só pastéis
fecho parêntesis
a realidade não é
um romance
é uma tragédia
(ria de aveiro; regata da ria; 2013)



