não sei se o rio se fez mar se o inverso mas há em ambos princípio e fim
(mexer; armazéns de lavos; 2017)
normalmente na figueira da foz começa-se a tirar sal em julho ou agosto, este ano a 13 de maio, na salina do vale da vinha, nos armazéns de lavos, já se tirava sal.
no dia 28 de maio fiz este registo e a 29 seria carregado o primeiro sal.
o marronteiro antónio julião, que explora a salina, disse que nunca na sua vida tal tinha acontecido e por isso me telefonou para fazer o registo.
(o filme)
no sal a memória do sol e do mar

estalam-me na cabeça os tufões medonhos do atlântico sul rebentam-me nos olhos as calemas de março o simoun enche-me a boca de areia e raiva lambem-me o sexo as chamas que no verão devoram pinhais e searas tremem-me as mãos sinto nos dedos os abalos de agadir mergulham ante meus olhos horrorizados todos os passageiros do titanic o amazonas corre-me nas veias ribombam-me no coração as cataratas do niagara os ouvidos rebentam-me com a pressão dos grandes rios a entrarem no mar o corpo arde na fogueira possesso de um demónio inventado pela inquisição todo eu tremo ante tanto desvario e tudo se conjuga no rodopiar do carrossel louco desta cabeça que não sei se é minha mas que pesa como se fosse o mundo