trazia palavras dentro de mim sussurrei-as redisse-as reouvi-me falo sozinho em silêncio me escuto poema nunca escrevi nenhum viver sim vivi muitos desequilibradamente agora
(regata do bico; murtosa; 2013)
infinitas manhãs
infinitas manhãs de gestos suspensos no vazio de não haver tecto infinitas manhãs de impiedosas mãos desfiguradas num enclavinhar de dedos na lisura das paredes infinitas manhãs de doridos olhos encovados na palidez do rosto arrastando-se fundos pelo dia imposto infinitas manhãs porque não me deixais dormir

português emigrante

partiram de bolsos vazios e o país no coração sonhavam uma vida melhor uma casa a velhice diversa foram dos primeiros e voltaram e no voltarem foram os últimos filhos e netos semearam que outras raízes criaram mais que uma bandeira são um povo orgulhoso das suas origens é uma honra ter entre eles tantos amigos
é tão fácil

venderás o peixe no mercado aos fregueses fiéis comprar-to-ão por comodidade hábito e cansaço às quintas montarás banca na feira venderás coisas várias outros caminharão à tua sombra serás o chefe não o líder nas terras piquenas é tão fácil parecer grande