o voto em dia de (re)flexão
voto de castidade votos sinceros voto de qualidade voto útil voto em branco voto nulo voto consciente voto comprado voto vencido voto em urna voto electrónico voto por correspondência voto em ti voto em mim voto por fim
infinitas manhãs
infinitas manhãs de gestos suspensos no vazio de não haver tecto infinitas manhãs de impiedosas mãos desfiguradas num enclavinhar de dedos na lisura das paredes infinitas manhãs de doridos olhos encovados na palidez do rosto arrastando-se fundos pelo dia imposto infinitas manhãs porque não me deixais dormir

inocentes

pedem-me que cale que não ligue denunciar é dar palco dizem e quedam-se no seu saber calado há a poesia a música o cinema o futebol há a cultura costas largas há o que não nos divide porque não é relevante há o silêncio que consente peço-lhes que falem que digam o que pensam se existem além do pensar calados críticos de tudo aí estarão no fim do caminho limpos sorridentes e isentos acabados de nascer e ainda por lavar