
em 2009 foi assim
vem ver como vai ser em 2018
é no próximo sábado dia 30

o “Lameirense” ainda velejava
(ria de aveiro; regata da ria; 2009)

em 2009 foi assim
vem ver como vai ser em 2018
é no próximo sábado dia 30

o “Lameirense” ainda velejava
(ria de aveiro; regata da ria; 2009)
Regata da Ria 2018 é dia 30 de Junho

http://www.noticiasdeaveiro.pt/pt/48805/regata-da-ria-2018-e-dia-30-de-junho/
fazer o futuro

o “Doroteia Verónica” ainda velejava
presa nas malhas
do corpo
esta coisa pensar
recolher-me na
incerteza dos dias
reviver os que foram
no que é
no que me deixaram
para que deixe
viver hoje
é preservar o ontem
fazer o futuro

o “Doroteia Verónica” ainda velejava
(regata da ria; 2010)
dia 30 de junho há regata
memória de um dia

falarão dos barcos
dirão moliceiros
ninguém falará de ti
sequer saberão o teu nome
pouco te importa
hoje tens tempo de antena
roubado que seja
mas tens e sorris e falas
não sabes de amanhã
ignoras o ontem
os moliceiros digo
são aves frágeis sem asas
e tu sabes
porque lhes cortaste
as últimas

(regata da ria ; 2010)
deixa

deixa que as palavras
te procurem
trazidas pelo sentir
de tudo
será poema se for
que isso te não preocupe
deixa que os olhos poisem
sobre tudo em tudo penetrem
e tragam consigo o seres
nada é novo
senão o teu olhar
o teu sentir
o teu dizer
nada acrescenta
a coisa nenhuma
por isso
deixa que as palavras
sejam em ti

(torreira; regata da ria; 2009)
sonhar

ser eu criança
o mundo
caber-me na mão
sonhar é o caminho
onde
começa o amanhã
ser todo o tempo
agora
eu criança sempre

(torreira; regata da ria; 2013)

o moliceiro “Dos Netos”
moliceiros na ria

lavrar a ria
foi sina de um povo
que atravessou o mar
reviver
a memória as raízes
é sermos
escrevê-lo
é haver aqui
neste tempo hoje
moliceiros na ria

(torreira; regata da ria; 2010)

aturem-me

escrever no tempo
em que me inscrevo
é recusar ser folha
que o vento leva leve
é ser ainda a pedra
na vidraça dos dias
no charco dos conformados
dizer com voz firme
estou vivo porra
recuso-me a morrer
antes
de estar morto
aturem-me

(torreira; regata da ria; 2013)
ser da terra

ser da terra
não é por nela
berço ter tido
ser da terra
porque herdada
sabe a monarquia
em tempo de república
seja a gente da terra
a fazer-te um deles
ou negar-te
sê e faz
hoje sou vela e vento

(torreira; regata da ria; 2010)

do escrever

esqueci-me do que
me esqueci
escrever o esquecido
é o como destas palavras
pergunto-me se o quê
também

(torreira; regata da ria; 2013)
