existe
existe o tempo
e o lugar onde
habita o infinito
aí os olhos
se fecham
para sentir
uma mulher safa
redes por sobre
o silêncio da ria
existe o tempo
e eu porque aqui

(safar redes; torreira; 2017)
existe
existe o tempo
e o lugar onde
habita o infinito
aí os olhos
se fecham
para sentir
uma mulher safa
redes por sobre
o silêncio da ria
existe o tempo
e eu porque aqui

(safar redes; torreira; 2017)
memória de eugénio
rente ao muro
caminha uma sombra
eu para além de mim
sou apenas isso
lembra-te da sombra
em silêncio
branco sobre branco
escreveu o poeta

(torreira; safar redes; 2013)
eis a mulher da ria
eis a mulher da ria
a mãe a camarada
seja hoje dela o dia
canto nela o serem
muitas as que
ombro com ombro
braço com braço
nas bateiras
são camaradas
do seu homem

(torreira; 2009)
conheço
conheço muitos
ladrões do presente
assassinos de futuros
mas
ainda não encontrei
ladrões de passados
talvez por isso
ainda tenha o meu

(torreira; safar das redes; 2013)
como se
como se dança
os corpos
como se música
os sons
como se agora
o antes
como se aqui
o longe
nada mais falso
que o óbvio

safar redes é trabalho de casal
(torreira; safar redes; 2013)
a escolha
para além da janela
a rua
para além do horizonte
o mundo
para além do agora
o amanhã
para além do quero
o posso
para além de mim
a escolha
a tua

(bestida; safar; 2011)

renascer
impossível reconstruir
a ponte
a tempestade caiu brava
imprevisível
sobram destroços
pedaços de memória
ilusões desfeitas
caminho
costas voltadas
ao que foi
urgente renascer

(torreira; safar caranguejo; 2012)
cipriano

cipriano brandão e a esposa aurora (2012)
estás aqui
mesmo que não estejas
em mais nenhum lugar
estás aqui
olhar o rosto de um amigo
é lembrar estórias
é estarmos vivos
num mundo que é só nosso
o da memória comum

cipriano brandão e a esposa aurora (2012)
(torreira; safar redes; 2012)
dos amigos e não só
cuida dos amigos de hoje
deixa que seja o amanhã
a deles fazer juízo certo
para alguns
amanhã foi ontem
são eles
que fazem os dias
mais tristes

a safar redes – mulher da torreira, onde a a vida não dá para camaradas
(torreira; porto de abrigo; 2013)
escrever
escrever o que sinto
até
sentir o que escrevo
é neste labor
que os dias
se fazem maiores

(torreira; safar redes; 2013)