os moliceiros têm vela (20)


sabe-te

o marnoto persegue o manuel da silva

o marnoto persegue o manuel da silva

na concha das mãos
coisa pouca
quanto baste para
matar a sede

não tem dono a água
deu-a a rocha
e quedou-se silenciosa

os nomes são letras
mãos dadas
palavras

na concha das mãos
um barco
oferta de um tempo
de ninguém
porque de todos

ilusão o seres dono
tão breve é o seres aqui
depositário apenas
da memória comum

sabe-te saberás

é de norte o vento, são moliceiros

é de norte o vento, são moliceiros

(ria de aveiro; regata da ria; junho, 2014)

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