os moliceiros têm vela (25)


a (minha) matemática do tempo

ouço-me para te ouvir

ouço-me para te ouvir

somam-se os dias
subtraem-se os anos
multiplicam-se os instantes
dividem-se as horas
o infinito é já ali
onde ontem

quando sou já fui
quando for não sei
de passagem tão só
sou tudo o que deixei

um ano mais
um ano menos

um ano apenas

a beleza é tão frágil nas mãos do homem

a beleza é tão frágil nas mãos do homem

(murtosa; regata do bico; 2012)