falo de ti, cuidavas que não?


estou-te a ver

estou-te a ver

há os que escrevem sobre
a história do que foi
e nada fazem
deixam livros

há os mais simples
os que fazem coisas
sobre as quais
os outros escreverão
deixam o nome

e tu
tu passas ao lado de ambos
e não és nada
nada

ouviste?

mais ao fundo já tu desapareceste

mais ao fundo já tu desapareceste

(dunas da torreira)

os moliceiros têm vela (35)


abraço, ti zé rebeço

e à vara o moliceiro vai varar na praia

e à vara que o vento ……

conversa a dois

– tá descalço, ti zé?

– não, cravo, trago os sapatos que a minha mãe me deu quando nasci

um homem grande, um homem bom, um homem com coração de oiro, um amigo

filho da terra, irmão da ria, puro e simples como poucos

abraço, ti zé

parados num tempo sem vento

parados num tempo sem vento

(murtosa; regata do bico; 2010)