à conversa com mestre joaquim raimundo (novo) – 1


mestre joaquim raimundo "novo"

mestre joaquim raimundo “novo”

verão de 2012, numa manhã à sombra do estaleiro do mestre zé rito, na torreira, etelvina almeida conversa com mestre joaquim raimundo.

a partir do volume dos “estudos etnográficos” de d. josé de castro, relativo a aveiro, fascículo “moliceiros”, mestre joaquim raimundo fala de barcos – moliceiros, mercantéis, matolas, bichanas, caçadeiras …. – da família, da arte, das gentes e dos tempos, das terras, dos usos…. da vida.

a conversa prolongou-se por largos minutos, este será o primeiro vídeo desta nova série

linhagem do mestre joaquim raimundo “novo”, segundo o próprio:

“Mestre Joaquim Maria da Silva Henriques (Murtosa, 1933, conhecido por Joaquim Raimundo “Novo”), New Jersey, U.S.A.

Mestre Joaquim Maria Henriques (pai, Murtosa,1909/2005,conhecido por Joaquim Raimundo “velho”)

Mestre Américo Raimundo (tio, tinha estaleiro no Bico)

Mestre José Maria Henriques (tio, tinha estaleiro em Veiros – Santa Luzia)

Mestre Júlio Raimundo (tio, tinha estaleiro na rua de Sto. Estevao, Murtosa)

Mestre Israel Raimundo (primo, filho de Júlio Raimundo, ficou com o estaleiro do pai em Sto. Estevão.)

Mestre José Luís Henriques (avô)

Mestre Agostinho Raimundo (bisavô)”

(obrigado a natalie serra, irmã mais nova do mestre joaquim raimundo, pela colaboração)

o vídeo

os moliceiros têm vela (34)


do medo

são moliceiros

são moliceiros

o medo é grande nas terras
piquenas
nas terras do tamanho das
gentes delas

o medo senta-se à mesa
do café
pede uma bica um copo
de água
o jornal da mesa do lado
se vago

o medo fuma um cigarro

o medo invadiu as casas
cegou muitos
paralisou alguns
calou quase todos
uns porque sim
outros porque também

o medo detém meios
oferece lugares
distribui subsídios
piquenos trabalhos
alguns favores
o medo é bom senhor

o medo passeia a gravata
pelas ruas no carro de serviço
o medo sorri pela janela
acena a quem passa
o medo é educado

o medo tem a sua corte
e o silêncio dos restantes

o medo inundou as ruas
transbordou para as praças

o medo
parou à porta do cemitério
porque depressa concluiu

que chegara tarde

os cisnes da ria num céu de sonho

os cisnes da ria num céu de sonho

(torreira; regata do s. paio; setembro, 2014)