os moliceiros têm vela (34)


do medo

são moliceiros

são moliceiros

o medo é grande nas terras
piquenas
nas terras do tamanho das
gentes delas

o medo senta-se à mesa
do café
pede uma bica um copo
de água
o jornal da mesa do lado
se vago

o medo fuma um cigarro

o medo invadiu as casas
cegou muitos
paralisou alguns
calou quase todos
uns porque sim
outros porque também

o medo detém meios
oferece lugares
distribui subsídios
piquenos trabalhos
alguns favores
o medo é bom senhor

o medo passeia a gravata
pelas ruas no carro de serviço
o medo sorri pela janela
acena a quem passa
o medo é educado

o medo tem a sua corte
e o silêncio dos restantes

o medo inundou as ruas
transbordou para as praças

o medo
parou à porta do cemitério
porque depressa concluiu

que chegara tarde

os cisnes da ria num céu de sonho

os cisnes da ria num céu de sonho

(torreira; regata do s. paio; setembro, 2014)

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