nascido na década de 40 do século XX na murtosa, onde viveu, francisco faustino é testemunha de um tempo que urge preservar.
veio ao mundo junto à ria e é descendente de gentes do mar, a sua vida profissional e o exercício pleno e permanente da cidadania, aliados a uma memória invejável e uma capacidade invejável de comunicação, tornam-no uma fonte de saber que não se esgota nas conversas que ficam registadas nos 4 vídeos.
o que destas conversas mais fica é o muito que haverá por saber e registar.
falar com o chico é um prazer e uma lição. isso aprendi
de 4 horas de conversa, ou melhor, de lição, este é o último registo.
eis o homem da beira-ria, chama-se abílio carteirista
será que este ano são mesmo os 80? ou foi o ano passado?
quem conhece o ti abílio (carteirista) sabe bem que com ele tudo é possível.
eu acredito que este ano são mesmo 80 anos.
fala-se muito da “brejeirice da beira-ria” quando se analisam alguns painéis de moliceiros, mas só se sabe o que é a “brejeirice da beira-ria” depois de alguns momentos de convívio com o ti abílio.
fala-se do “duplo sentido” que algumas legendas de painéis de moliceiros utilizam, veja-se a alcunha “carteirista” e pensa-se logo numa interpretação, mas …… (vejam o vídeo)
o ti abílio tem também da tradição dos homens da beira-ria, no saber o valor da palavra e no reconhecer os amigos – é o que somos.
o ti abílio é a beira-ria
parabéns ti abílio, seja qual for a idade que você comemora hoje, nunca parecerá a que é.
abraço do amigo cravo
(os clips de vídeo, que registei em conversa com o ti abílio, mostram um ti abílio sério, de boa memória, muita experiência de vida e capaz de encarar o futuro com um discernimento que incomodará muitos de menos idade.
hoje o primeiro da série)
dos mestres
na precisão do gesto
a mão o instrumento
o mestre
saberes herdados
na escrita dos dias
trabalhados
vai-se o mestre
fica a obra
diziam
já pouca obra
enquanto nenhuma
digo
é este o meu tempo
(torreira; 2015)
mestre firmino tavares a trabalhar com o formão na construção do moliceiro marco silva
ser mestre, não é só o que hoje se diz dos que obtiveram numa universidade esse grau, é coisa muito mais antiga. de saberes de artes e ofícios, de aprendizagens de anos, de carreiras feitas sob a orientação de um “mestre”, até se atingir a qualidade e a perfeição de execução que aos mestres são exigíveis.
não é tradição dos países do sul da europa este tipo de formação e aquisição de saberes e títulos, que remontam à idade média, mas que se continuam a utilizar em muitos países europeus, começando na frança, o país mais a sul. as antigas escolas industriais preenchiam, entre nós, esta função e nelas se formavam operários especializados que recebiam ensinamentos práticos dos “mestres de oficina”.
enfim, toda uma conversa que haveria/haverá que fazer sobre este tema, mas o que agora e aqui importa é ouver “mestre” firmino tavares, último de uma família de mestres construtores navais de pardilhó, e aprender com ele o como foi, o prazer de ter sido e de ensinar a fazer, fazendo.
falar com o mestre são lições de vida que não me canso de receber. espero que depois de ouvir este breve apontamento, sem pretensões, fiquem mais ricos, como eu fiquei