depois de o saco chegar a terra é preciso, soltar o arinque da extremidade do saco: a calima ou calime.
é isso que faz nesta foto uma pescadeira da praia da mira, da companha do zé monteiro

(xávega; praia de mira; 2009)
depois de o saco chegar a terra é preciso, soltar o arinque da extremidade do saco: a calima ou calime.
é isso que faz nesta foto uma pescadeira da praia da mira, da companha do zé monteiro

(xávega; praia de mira; 2009)
perde-se no longe do tempo
o haver mar
tarde chegou o homem
a estas praias
trazido por caminhos
perdidos por aí
cedo venceu o medo
não fora homem
cedo ganhou o mar
não fora gente
cedo comeu o estranho pão
não tivera fome
resistem ainda alguns
em praias quase desertas
abandonados à sua sorte
pelos donos da terra
eles que vencem o mar
que não temem o medo
morrem nas secretarias
assassinados por burocratas
perdem-se no tempo
sobrevivem
(praia de mira; companha do zé monteiro)
em novembro de 2012 foi criada a Associação Portuguesa de Xávega (APX) – se lerem a sigla à moda dos pescadores fica “há pêxe”, feliz a escolha.
está assim criada uma ferramenta de união dos arrais da xávega pela luta da sobrevivência desta arte de pesca tradicional.
quando os homens querem
(praia de mira; 2009)
que dizer-vos destes tempos em que assisto a tentativas sucessivas de assassinato da memória? que dizer-vos da raiva angústia desespero destas gentes que são as as minhas que são as nossas que somos nós? quem seremos amanhã se nos querem roubar o hoje o ontem? quem seremos amanhã se nos querem roubar o sermos? o povo será sereno mas até a serenidade tem limites até quando?
é tempo de mar
será tempo de peixe
se peixe houver
é tempo de homens
tempo de ser
mesmo que peixe
não venha
mesmo que o saco
nada tenha
têm os homens
o saber que vão
sem saberem o quanto são
pois é deles natural
serem-no assim
é tempo de mar
é tempo de ser
pescador
(praia de mira; companha do zé monteiro)

ninguém é tão forte
quanto julga
ninguém é tão fraco
quanto parece
olha-te
antes
de veres
……
os rios
correm
para o mar
só eu
corro
sem destino
……
magoa-te
hoje
amanhã
serás imune
……
os dias
não pesam
tu neles
…..
acorda
comigo
não durmas
…..
quando
acordei
não eras tu
…..
o teu rosto
as minhas mãos
um poema
…..
eu sou
tu és
nós seremos?
…………
o óbvio
é
um espanto
é uma alegria quando depois de algumas horas o saco chega cheio à praia.
em seguida é preciso, com um estacadão atravessado sob a boca do saco ir empurrando o peixe que aí ficou emalhado para o fundo.
em seguida é cortado o fio que fecha o saco e retirado o peixe.
(praia de mira_companha do fatoco)