
a mancha estende-se cresce oleosa liberal laranja azul manto cego surdo cobre cobra cala a mancha sabe quer impõe segue até que se agite o mar a engula a onda a raiva o desespero a razão nós
(torreira; 2012)

a mancha estende-se cresce oleosa liberal laranja azul manto cego surdo cobre cobra cala a mancha sabe quer impõe segue até que se agite o mar a engula a onda a raiva o desespero a razão nós
(torreira; 2012)
amo
o meu amor não é porém
explicitado em carícias ou volúpias
acolhidas no seio de palavras
metáforas ou onomatopeias
ansiedades frustrações e quejandos
sentimentos
numa linha apenas
encontrar as palavras certas
afiadas prontas a cortar rasgar
desentupir a cegueira de cinzentas
figuras gaspáricas e coélhicas
monstros de spielberg
provocatoriamente depositados
em país longínquo dele e tão nosso
para nos impingirem histórias
do maléfico autor fmi/merkel
parceria infalível em qualquer filme de terror
amo
a limpidez líquida do suor
que ganhou o pão
assim as minhas palavras
(torreira; 2007)
cumpriram-se os dias plenos de sal séculos escritos sobre as ondas um povo à beira mar se fez e aí cresceu aqui todo o destino tem sabor a espuma escamas recobrem os homens mulheres outras estas as que o mar fez restam poucos restam muitos restam os que são e sabem ser pescadores apanhados nas malhas de uma europa que não a sua afogar-se-ão ou não? quem se faz ao mar e o vence será que vai morrer a ver o mar crescer sem o poder galgar? falo de homens não de burocratas falo do nosso mar
quem vence o mar vence sempre