meditação à beira ria (1)


 

não

não quero saber nada do que sei

esquecer tudo o que aprendi

ser eu apenas

eu e

estar aqui

 

ignorar se o tempo é eterno

se choverá ou fará sol ainda

para além de

 

que tudo se reduza ao momento

mesmo que não se perpetue

mas seja o instante

e o que for

quando tiver de ser

seja

 

não há barcos a navegar na ria

também eu tenho marés

 

 

falo das aves


falarei ainda das aves
quando te disser
que mais belas não vi

estranhos barcos estes
de tão belos
que meninas mulheres são
desta laguna
onde o mar se aconchega
para ser criança

as palavras não cabem
no esplendor das velas
só o silêncio nelas se acolhe
para ser mais nosso
deslumbrante de tanto

falo ainda das aves
 
amanhã
em bando voarão mais uma vez
até quando?

(regata da ria; 2011)