sei de um barco um barco a voar há um barco dentro de mim deixem-no vogar
(torreira; regata do s. paio; 2010)
(torreira; 2011; o descanso da guerreira)
contas o tempo em máquinas e outros artefactos acaso pensaste no tempo de ser? quantas horas tem um minuto de dor? quantos meses um dia de fome? quantos anos um sorriso de uma criança? quantos séculos se inscrevem nos rostos crestados pela terra e o sal? são de gente os ponteiros do meu relógio diverso tempo este onde a morte espreita

conquistar os dias um a um vencer-se para vencer erguer-se falo de homens dos que muitos a bordo de barcos nasceram neles foram criados e homens se fizeram falo de moliceiros nome dos homens e dos barcos que ambos se confundem na labuta e no tempo conquistar o futuro sendo no presente esse o desígnio
(regata da ria; 2011)
unem-se os homens dão-se as mãos fazem-se nós limpa-se a sombra renasce-se o moliceiro é bandeira amor paixão modo de vida foi de memórias pleno mais que eles é todos os que antes o foram uniram-se os homens cuidem-se os que
o vento o norte pai dos dias quentes da costa ocidental nesse dia não se fez sentir lentos os barcos sulcaram a ria sem pressas de tempo como se dele não soubessem horas muitas quase noite quando a aveiro chegaram mal sabiam então que no ano seguinte seria noite logo pela manhã e a regata a regata seria negra que este é um país onde se enterram os vivos por ser mais fácil cuidar dos mortos chamam-lhe alguns cultura
(regata da ria; 2011)
em 2012 a regata seria cancelada “por falta de verbas”
um urso de peluche na bica da proa da bateira a coluna sofrida de tanto um sorriso e um abraço enormes pescará ainda enquanto o corpo que outra arte não sabe reparte o amor entre os seus e a ria por vezes queixa-se mas de dores reclama da balança do intermediário do roubo descarado do pão transformado em carros de luxo a democracia ainda não chegou à ria aqui a dita dura é ela que decide o quê quando e por quanto são estes os homens livres aos olhos de quem chega admira a beleza da paisagem regista-a e divulga mas é de lama que se trata aqui anda vem aprender a ria
(torreira; 2008)