somos
como na cadeira do dentista terminamos de boca aberta e em silêncio somos a nossa solidão é irrepartível
figueira da foz; molhe norte
mais que o nome a alcunha conta uma história assim os pescadores a do henrique nunca a soube nem é aqui lugar para homem rico o henrique de duas alcunhas penso ser dono haverás mais ricos de alcunhas claro mas de voz mais nenhum safa as redes como todos não safa a vida
torreira; porto de abrigo; 2013
o poema “Para lá da avenida é Inverno, diz-se…” faz parte do livro “à frente do mar”
a memória dos dias

eu, por rui mourato, 2016
a 11 de setembro de 1973 pinochet derrubou o governo democrático de salvador allende, no chile. o terror e as atrocidades que se seguiram ao golpe, multiplicaram-se durante anos e traduziram-se em incontáveis milhares de mortos.
hoje ninguém fala do chile e do golpe comandado pelos americanos, mas os meios de comunicação lembram-nos os mortos do 11 de setembro de 2001 em nova iorque, provocado pelo embate de aviões controlados por terroristas.
será que os muitos milhares de vitimas do regime de pinochet nada valem face aos três milhares de americanos?
entre a memória e o esquecimento se reconstrói a história.
para mim todos são seres humanos, todos foram vítimas de terroristas, por isso hoje, 11 de setembro é dia de lembrar todas as vítimas , TODAS
em nome da liberdade e contra o terrorismo, venha de onde vier, ergamos o nosso grito
o poema “Essa tua fala rente” faz parte do primeiro livro da autora, “Folha móvel”