para o zeca


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amigo
serás sempre maior que o pensamento

tu que cantaste maio
e foi numa madrugada de abril
tu que foste a toupeira
e cantaste o sol e nos levaste a agarrá-lo

amigo
serás sempre maior que o pensamento

as tuas palavras a tua voz
são ainda tu aqui agora
sempre

duas sílabas um nome
um grito uma canção um protesto
uma revolta um princípio
uma alavanca um não desistir
aqui agora sempre

amigo
serás sempre maior que o pensamento

30 anos depois
não há depois
há o futuro todo

amigo
serás sempre maior que o pensamento

(abril, a 25)

postais da ria (156)


abril vinte e cinco e os cravos

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dos cravos não consta
que espinhos
não os temas por isso

não tos vi hoje na lapela
e admiro-te
na sinceridade de os não
teres posto

aí onde estás lustroso
sorridente
aos cravos o deves

ou será que aí estarias
mesmo sem eles
sem democracia?

nunca se sabe

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(ria de aveiro; torreira)

os moliceiros têm vela (205)


abril vinte e quatro

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abril vinte e quatro
mil nove setenta e quatro
não sabíamos de amanhã
do amanhã que hoje
sabemos que ia ser

recordo os mortos nas
guerras criminosas no
silêncio das prisões às
mãos sádicas de não homens
que vimos condecorados
para nossa vergonha
depois de

abril vinte e cinco
quarenta e dois anos depois
é amanhã e podemos sair
à rua e por sermos mais de dois
não seremos presos

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(torreira; regata do s. paio; 2012)