saco cheio


saco cheio

é uma alegria quando depois de algumas horas o saco chega cheio à praia.

em seguida é preciso, com um estacadão atravessado sob a boca do saco ir empurrando o peixe que aí ficou emalhado para o fundo.

em seguida é cortado o fio que fecha o saco e retirado o peixe.

 

(praia de mira_companha do fatoco)

mulher em terra, homem no mar


linda tareca


sou a que fica em terra
à espera dele
que trabalha desde que as pernas
suportam o corpo
até que o corpo as não sinta

sou eu que grito
quando o mar está bravo
e o barco sobe na crista da onda
quando o arrais grita

VAI! VAI! VAI!

sou a que se faz ouvir no nevoeiro
dizendo que a terra é aqui

 

safar as redes, safar a vida


 

salvador e esposa

o salvador é dos poucos, senão o único pescador, que safa as redes para a praia quando a maré está vaza.

a mulher é a sua camarada na tarefa.

para que as redes não se encham de areia põe sempre um oleado na areia e é sobre ele que as redes vão caindo.

(torreira; 2010)

o piço


 

o piço

o “piço”, pescador ou filho de pescador sem alcunha não existe, safa as redes para a plataforma da marina.

este ano, um fotógrafo, apanhou o piço e uns amigos a apanhar camarão à moda antiga, com um pequeno chinchorro e registou momentos únicos.

até aqui tudo bem.

infelizmente, e já não é o primeiro, fez logo de seguida uma exposição e vá de vender aos pescadores as fotos que tirou, o piço estava numa delas claro.

que fotografem os pescadores e as artes de pesca é de louvar, que depois lhes venham vender as fotos é a roubar.

canons, nikons, ….. não vos chegam.

oh vós que tendes dinheiro para as máquinas, ainda explorais quem dia a dia conquista à ria e ao mar o pão parco que à mesa leva.

como não sou de conversas:

raios vos partam chulos!!!!!!!

(torreira-marina dos pescadores; 2009)

arte solheira – o safar das redes uma outra forma de dança (I)


 

safar redes – carlos padeiro

safa-se as redes a bordo, safa-se as redes para outro barco, safam as redes os homens, safam as mulheres e os mais pequenos.

neste registo o carlos padeiro safa as redes para cima de um moliceiro atracado à marina.

na altura em que o fotografei o carlos teria 14 anos e já alguns de ria e de arte.

é assim na torreira nasce-se com a ria no sangue e o mar no coração