do livro “MORRER É NÃO TER NADA NAS MÃOS”
ahcravo_gorim
os moliceiros têm vela (471)
da natureza e do amor
era manhã muito cedo ainda ensonado o sol recusava-se a rir a névoa que cobria os campos era um véu tímido que lhe tapava os lábios lentamente o dia espreguiçou-se, bocejou iniciou o ritual do levantar escondido atrás de uma erva pequenina a tudo assistia estupefacto no momento em que chegaste vinhas de muito longe poisada numa folha verde trazida pelo vento gelado da manhã eras nova no prado ninguém te conhecia para mim sorriste e as outras abelhas invejaram-me a companhia
“Correspondência Diária” de nuno f silva
do livro “Epilepsy Dance”
postais da ria (403)
memória de 06/01/2013
a morte do fotógrafo
foi a enterrar hoje em setúbal terra onde nasceu eu também e fotografou com o coração o meu primo zé pinho onde quer que estejas zé regista a eternidade para a eternidade aqui fica uma imagem do mar onde sado morre para renascer imensamente maior assim tu abraço forte guardo o livro de fotos que publicaste os postais de natal que eram fotos tuas guardo-te

” a locomotiva parou no monte…” de ivo machado
“2021 – relatório e contas” de ahcravo gorim
palavras de ahcravo gorim, voz de isabel marcolino
“dai-me senhor … ” de isabel mendes ferreira
2021 – relatório e contas
perdi definitivamente o meu pai(selfie na bilbioteca habitada) não publiquei nenhum livro não ganhei nenhum prémio fui apanhado pela doença de bowen vá consultem o dr. google perdi definitivamente o meu pai não contraí covid ainda já tomei as três doses e observo as regras ganhei resiliência gosto da palavra embora não saiba muito bem o significado está na moda convém usar aumentaram as desilusões morreram alguns amigos li muito fotografei o que pude gravei poetas e juntei umas letras fiz e reforcei amizades os amigos sempre não arranjei mulher mas ganhei uma sogra uma desgraça nunca vem só de resto exames e análises foram bons o meu urologista queria-os para ele as rotinas confirmam que tirando o que está mal o resto está bem estou vivo e continuo a inventar dizer que isto é poesia faz-me rir mas é o melhor remédio e por isso mesmo comparticipado a cem por cento pela adse







(selfie na bilbioteca habitada)
não publiquei nenhum livro
não ganhei nenhum prémio
fui apanhado pela doença de bowen
vá consultem o dr. google
perdi definitivamente o meu pai
não contraí covid ainda
já tomei as três doses e observo as regras
ganhei resiliência gosto da palavra
embora não saiba muito bem
o significado está na moda convém usar
aumentaram as desilusões
morreram alguns amigos
li muito fotografei o que pude
gravei poetas e juntei umas letras
fiz e reforcei amizades os amigos sempre
não arranjei mulher
mas ganhei uma sogra
uma desgraça nunca vem só
de resto exames e análises foram bons
o meu urologista queria-os para ele
as rotinas confirmam que tirando
o que está mal o resto está bem
estou vivo e continuo a inventar
dizer que isto é poesia faz-me rir
mas é o melhor remédio e por isso mesmo
comparticipado a cem por cento pela adse