a memória dos dias 19012011


agostinho trabalhito

do agostinho trabalhito (canhoto) muito haveria que contar, mas fico-me pelos últimos anos.

trabalhou na companha do falecido zé murta e trabalha agora na companha do marco. a corda ao pescoço serve para atar a manga antes do calão e, assim, impedir que alador “coma” e quebre o calão.

pelo caminho lavou pratos num restaurante e dedica-se à pesca à cana (ainda de bambu) para apanhar peixe mais “grosso” que aumente a dispensa da família ou para vender aos restaurantes.

dos muitos irmãos que tem não posso deixar de recordar dois já falecidos: o zé trabalhito e ti antónio trabalhito, ambos homens de mar, ambos homens da torreira

( torreira_companha do marco_2010)

“Poemas para Mário Botas” _ 1


do livro “FALAR DELE NO CÉU DE UMA PAISAGEM – poemas para Mário Botas”

“ANYWHERE OUT OF THE WORLD” de Inês Dias

“AQUELE QUE ESTÁ DIANTE DO OUTONO” de Maria João Cantinho

“RESTITUIÇÃO” de Marta Chaves

postais da ria (404)


infinitas manhãs

cais do bico; murtosa
infinitas manhãs
de gestos suspensos
no vazio de não haver tecto

infinitas manhãs
de impiedosas mãos desfiguradas
num enclavinhar de dedos
na lisura das paredes

infinitas manhãs
de doridos olhos encovados na palidez do rosto
arrastando-se fundos pelo dia imposto

infinitas manhãs
porque não me deixais dormir

cais do bico; murtosa