postais da ria (228)


a ignorância do sábio

o sábio
cultiva a ignorância
com rigor

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(corrida de chinchorros; s. paio, 2016)

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postais da ria (222)


a vida de quem vive da ria não está fácil

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quando todos são um e muito mais que cada um

este ano, contrariamente ao habitual, a corrida de chinchorros foi na quinta-feira, dia 7, e não no sábado juntamente com a regata das bateiras à vela.

para mim, e muitos dos que seguem as regatas do s. paio, esta é a mais emocionante. por isso mesmo, o ser ao sábado garantia a assistência que merece. manifestei-me contra a data escolhida este ano numa publicação a que dei o título “manda quem pode”.

quando cheguei à torreira falei com um pescador membro da organização e disse-lhe o que pensava. a resposta calou-me e foi muito simples:

“- fui eu quem decidiu, porque amanhã, dia 8, é dia de s. paio e há pescadores a quem fazem muito jeito os 50 euros de prémio de participação, que recebem hoje, para festejarem o s. paio.”

a explicação é mais que suficiente, pelo menos para mim.

retiro assim o que disse na publicação referida. é muito mais importante, para os pescadores, poderem brincar o s. paio com alguns trocos a mais na algibeira, do que terem muito mais gente a assistir à corrida de chinchorros.

a vida de quem vive da ria não está fácil.

(corrida de chinchorros; s. paio; 2017)

postais da ria (217)


manda quem pode

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tradicionalmente as regatas do s. paio da torreira realizam-se no fim de semana: no sábado a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros ( a mais emocionante de todas), no domingo a regata de moliceiros.

estranhamente, este ano, a corrida de chinchorros vai ser na quinta-feira dia 7. assim quem só tiver o fim de semana livre, ou vier de fora para assistir às regatas, não vai poder assistir às corridas de chinchorro.

é uma pena, porque é na corrida de chinchorros que se vivem os momentos mais emocionantes das regatas.

será que quem organiza as regatas e é por ela responsável – executivo municipal ou comissão de festas – alguma vez assistiu com olhos de ver às corridas de chinchorros?

alguma vez o horário das marés impediu que a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros se realizasse no mesmo dia?

alguma vez viram/sentiram a festa que é para os pescadores o participar na corrida de chinchorros e como essa festa deve ser partilhada pelo maior número de pessoas possível?

caros senhores que nestas coisas mandais, parai para pensar e se motivos de muita força vos fizeram mudar a corrida para quinta-feira, pensai na força que perde a força maior das regatas : os pescadores da torreira.

gostava de não escrever o que aqui digo, mas custava-me mais nada dizer.

lá estarei, porque reformado, porque ainda posso. mas lamento os amigos que trabalham, os que vêm de longe e pensavam ver as regatas todas e, alguns já o manifestaram, vão perder a mais emocionante.

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fica o vídeo que fiz o ano passado para que sintam, os que decidem, e vejam os que, com esta decisão, não vão poder ver.

 

 

(corrida de chinchorros; s. paio, 2016)

postais da ria (185)


bota c …..

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o trabalho começa dias antes com a reparação e pintura das bateiras e dos remos. têm de estar lindas e em condições de correr na grande festa do s. paio, na corrida a remos.

são “bateiras de bicas”, “chinchorros”, maiores que as “bateiras caçadeiras” e já não são muitas. formam-se as equipas, fazem-se as inscrições e recebem-se as camisolas, de cores diferentes por bateira e equipa.

no sábado é a corrida, a mais emocionante e rápida de todas as que se realizam no s. paio: não chega a durar 8 minutos e é só emoção.

espetadas do lado da serra – para os pescadores os pontos cardeais são: mar, serra, baixo e cima – as varas que marcam a posição de partida, cada bateira tem a sua, as equipas partem da zona do guedes – um nome que ficará para além do tempo – e, a remos ou a reboque, vão calmamente ocupar o seu lugar.

há sempre uma ou duas equipas de mulheres, ou com mulheres. numa dessas equipas ia o meu amigo setenove, já no meio da ria, quando lhe pedi para montar a câmara na bateira em que ia, disse que não e indicou-me aquela em que a montei, gritando:

bote na “marisa e andré” que essa ganha!

montar a câmara foi uma aventura, quando saí da bateira não sabia se tinha ficado a gravar ou não – a pressão da equipa, a ondulação da ria com nortada e, no fim, o cinto preso nos golfiões…. foi só stress.

quando vi que tinham de facto ganho a corrida, a minha tensão aumentou de novo: e se não tivesse gravado?

quando cheguei à bateira, um pescador, membro da equipa, sossegou-me:

gravou sim, que eu pus a mão à frente e vi que estava a gravar.

só em casa descansei quando visualizei a gravação e depois de tomar um calmante.

o resultado está aqui, mas não chega aos calcanhares da emoção que se vive a acompanhá-los, quanto mais participando.

nota: as palavras valem pelo modo e contexto em que são ditas. no meio da ria, em plena competição, as palavras nascem das vísceras de cada um e chegam à boca limpas de qualquer outro significado que não seja: bota! o mais são adornos locais. sintam-nas nesse contexto e se, por acaso, da vossa boca saíssem outras, lembrem-se de que o significado seria o mesmo.

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o fime

(torreira; 3 de setembro de 2016)