oh meu senhor!


aurora vasques

quem visita a praia da torreira não passa sem as ver.

são as vascas, as peixeiras mais antigas da torreira, com posto de venda junto ao passeio da praia e em frente à casita onde moram, com porta para o parque de estacionamento.

eram três irmãs: aurora, irene e ermelinda.

a ermelinda já faleceu.

a aurora tem os olhos mais lindos da torreira.

regata moliceiros – bico – 8 de agosto – 15 horas


eu vou

http://www.cm-murtosa.pt//Templates/GenericDetails.aspx?id_object=4863&divName=876&id_class=876

no dia 8 de agosto pelas 15horas
no bico, na murtosa
vão desfilar em regata
no sentido nascente/poente e regresso
de manhã costuma haver umas tasquinhas com petiscos
uma tele 70/300 ou 200 e uma 18/55 fazem jeito

estou lá logo pela manhã

marginal(c)idade



(?)

sinto-me sem mim. de tão só me não encontro. onde parará quem sou ? quem fui onde ficou ?

vagueio entre o eu e o não-eu. Entre estar aqui ou noutro sítio, qual a diferença ? a única geografia possível está em mim, é aí que me devo sentir habitante de .

a tudo me sinto aqui paralelo. acaso algum dia me intersectarei algures ?

dêem-me um código postal,  atribuam-me uma classificação nos vossos catálogos.

e que fazer da memória, do engenho de pensar ainda ? não caibo no vosso mundo porque rompi as cadeias que me tolhiam os olhos, mas agora que vejo demais, quem me dera cego.

Fotografo Premiado sente-se insultado pelo estado e rejeita aceitação


paulo nozolino

PAULO NOZOLINO DEVOLVE PRÉMIO AICA/MCCOMUNICADO
Recuso na sua totalidade o Prémio AICA/MC 2009 em repúdio pelo comportamento obsceno e de má fé que caracteriza a actuação do Estado português na efectiva atribuição do valor monetário do mesmo. O Estado, representado na figura do Ministério da Cultura (DGARTES), em vez de premiar um artista reconhecido por um júri idóneo pune-o! Ao abrigo de “um parecer” obscuro do Ministério das Finanças, todos os prémios de teor literário, artístico e científico não sujeitos a concurso são taxados em 10% em sede de IRS, ao contrário do que acontece com todos os prémios do mesmo cariz abertos a candidaturas.
A saber: Quem concorre para ganhar um prémio está isento de impostos pelo Código de IRS. Quem, sem pedir, é premiado tem que dividir o seu valor com o Estado!
Na cerimónia de atribuição do Prémio foi-me entregue um envelope não com o esperado cheque de dez mil euros, como anunciado publicamente, mas sim com uma promessa de transferência bancária dessa mesma soma, assinada por Jorge Barreto Xavier, Director Geral das Artes. No dia seguinte, depois do espectáculo, das luzes e do social, recebo um e-mail exigindo-me que fornecesse, para que essa transferência fosse efectuada, certidões actualizadas da minha situação contributiva e tributária, bem como o preenchimento de uma nota de honorários, onde me aplicam a mencionada taxa de 10%, cuja existência é justificada pelo Director Geral das Artes como decorrendo de um pedido efectuado por aquela entidade à Direcção-Geral dos Impostos para emitir “um parecer no sentido de que, regra geral, o valor destes prémios fosse sujeito a IRS”.
Tomo o pedido de apresentação das certidões como uma acusação da parte do Estado de que não tenho a minha situação fiscal em dia e considero esse pedido uma atitude de má fé. A nota de honorários implica que prestei serviços à DGARTES. Não é verdade. Nunca poderia assinar tal documento.
Se tivesse sido informado do presente envenenado em que tudo isto consiste não teria aceite passar por esta charada.
Nunca, em todos os prémios que recebi, privados ou públicos, no país ou no estrangeiro, senti esta desconfiança e mesquinhez. É a primeira vez que sinto a burocracia e a avidez da parte de quem pretende premiar Arte. Não vou permitir ser aproveitado por um Ministério da Cultura ao qual nunca pedi nada. Recuso a penhora do meu nome e obra com estas perversas condições. Devolvo o diploma à AICA, rejeito o dinheiro do Estado e exijo não constar do historial deste prémio.

Paulo Nozolino
1 de Julho de 2010

(obrigado joão correia)