é maio primeiro dia
morraceira
a beleza do sal (117)
a beleza do sal (115)
que fazer das palavras
que fazer das palavras se não o assassínio do silêncio que fazer das palavras se não a ferramenta da denúncia que fazer das palavras se não o dizer esta revolta hoje aqui que fazer das palavras se não servirem para derrubar o palco erguido pelo silêncio que fazer das palavras se as aprendi para as dar e serem mais só a conquista dá valor ao conquistado desprezadas são as ofertas que fazer das palavras se não usá-las para gritar quando necessário
a beleza dos sal (112)
doem-me os braços
tempo de espera este sobreviver para viver sem saber quando tempo para lembrar depois esquecer tempo de não ser o sal está a trabalhar dizem e esperam o tempo de estar feito no talho que me coube vou mexendo os dias com vontade de os rer doem-me os braços por falta de abraços
a beleza do sal (111)
a beleza do sal (103)
eu

para os fotógrafos sou poeta para os poetas sou fotógrafo para o espelho sou eu
a beleza do sal (87)
não

armazéns de lavos; achegar; 2020
não me façam perguntas
não tenho respostas
caminho simplesmente
a beleza do sal (86)
a flor não

ilha da morraceira; mexer; 21/07/2020
em cima da cilha
os montes de sal
enfeitados
sobre o monte mor
a chuva tomba
espera o homem
que de pouca dura
a água doce
em cima da cilha
sol mar suor
resistirão
no talho a flor
não
a beleza do sal (85)
mexer

ilha da morraceira; mexer; 2020
sábado 27 de junho de 2020
na morraceira já se mexia
e eu fiz a primeira foto do ano
há três anos
quando comecei a fotografar o salgado
de forma diversa foi com o mesmo marronteiro
esperemos que seja uma boa safra para todos
e que haja quem queira registar esta arte
(“agora o sal está a trabalhar para ele”, disse-me o zé quando acabou de mexer e eu me despedi)
a beleza do sal (84)
assento

(ilha da morraceira; enfeitar; 2019)
sento-me
levanto-me
caminho
continuo sentado
quando é que eu
assento




