s/t

ao arrepio das correntes dominantes o poeta navega e segue está vivo e escreve
que fazer das palavras
que fazer das palavras se não o assassínio do silêncio que fazer das palavras se não a ferramenta da denúncia que fazer das palavras se não o dizer esta revolta hoje aqui que fazer das palavras se não servirem para derrubar o palco erguido pelo silêncio que fazer das palavras se as aprendi para as dar e serem mais só a conquista dá valor ao conquistado desprezadas são as ofertas que fazer das palavras se não usá-las para gritar quando necessário
doem-me os braços
tempo de espera este sobreviver para viver sem saber quando tempo para lembrar depois esquecer tempo de não ser o sal está a trabalhar dizem e esperam o tempo de estar feito no talho que me coube vou mexendo os dias com vontade de os rer doem-me os braços por falta de abraços
eu

para os fotógrafos sou poeta para os poetas sou fotógrafo para o espelho sou eu
não

armazéns de lavos; achegar; 2020

ilha da morraceira; mexer; 21/07/2020

ilha da morraceira; mexer; 2020