postais da ria (300)

postais da ria (300)


escrevo-me

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quim marçal

caminho frágil este
o dos dias de estar aqui
escrever na areia dizem
e que mais resta quando
de água a memória
escrevo para lembrar
para sentir para saber
sigo o caminho das letras
em busca das palavras
eu perdido por aí
escrevo-me escrevo-me
talvez me encontre
(torreira; reparar redenho;2018)

postais da ria (291)


tremo muito
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safam-se as redes para que se não safem os chocos

 
vêm devagar as palavras
cansadas de tanto
 
carregadas de memória
vergam-se
 
está frio cada dia mais
cubro-me com 
letras nomes sons
 
tremo
tremo muito
 
vão depressa as palavras
urge guardá-las
 
(torreira; 2018)

o piço


 

o piço

o “piço”, pescador ou filho de pescador sem alcunha não existe, safa as redes para a plataforma da marina.

este ano, um fotógrafo, apanhou o piço e uns amigos a apanhar camarão à moda antiga, com um pequeno chinchorro e registou momentos únicos.

até aqui tudo bem.

infelizmente, e já não é o primeiro, fez logo de seguida uma exposição e vá de vender aos pescadores as fotos que tirou, o piço estava numa delas claro.

que fotografem os pescadores e as artes de pesca é de louvar, que depois lhes venham vender as fotos é a roubar.

canons, nikons, ….. não vos chegam.

oh vós que tendes dinheiro para as máquinas, ainda explorais quem dia a dia conquista à ria e ao mar o pão parco que à mesa leva.

como não sou de conversas:

raios vos partam chulos!!!!!!!

(torreira-marina dos pescadores; 2009)

arte solheira – o safar das redes uma outra forma de dança (I)


 

safar redes – carlos padeiro

safa-se as redes a bordo, safa-se as redes para outro barco, safam as redes os homens, safam as mulheres e os mais pequenos.

neste registo o carlos padeiro safa as redes para cima de um moliceiro atracado à marina.

na altura em que o fotografei o carlos teria 14 anos e já alguns de ria e de arte.

é assim na torreira nasce-se com a ria no sangue e o mar no coração

safar as redes, safar a vida (I)


 

salvador rilho (chalana)

o primeiro safar das redes começa no alar.

então se safam os peixes – chocos, linguados… – e se safam caranguejos, alforrecas e as algas maiores.

metro a metro, rede a rede, andar a andar, a rede vai-se acumulando junto à ré, entre o meio do barco e os pés do pescador.

sente-se que a beirada se aproxima da ria e o barco se torna mas pesado à medida que se ala.

depois, regressa-se à marina dos pescadores e outros dançares a rede fará.

na metade traseira do barco o seu primeiro passo

(torreira; 2010)