mãos de mar (25)


a raiva acesa

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quem foste tu
que hoje não és?

quem amava morreu
quem vive matou-me

quem fui eu
que não sei ser?

a mão sustém memória

dentro dela eu
a raiva acesa
nas pontas dos dedos

a raiva acesa
(torreira)

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crónicas da xávega (123)


da raiva

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podem os homens
vencer o mar
ser o barco a casa

pode o mar calar
os homens
ouvir as mulheres

pode esta raiva
que trago no peito
salgar-me os olhos
enquanto pergunto

porquê

por muito pouco
que saibas do mar
saberás sempre
menos dos homens

fica a raiva a rugir
nas manhãs dos dias
breve anoitecidos

amarelecida espuma

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(torreira; companha do marco; 2013)