tudo são aparências

o zé e o seu moliceirinho
é nos dias de calmaria
que nasce a tempestade
tudo são aparências

de chapéu verde, o s. paio do zé rebelo
(torreira; regata do s. paio; 2014)
o zé rebelo prepara o seu moliceirinho para a regata
tudo são aparências

o zé e o seu moliceirinho
é nos dias de calmaria
que nasce a tempestade
tudo são aparências

de chapéu verde, o s. paio do zé rebelo
(torreira; regata do s. paio; 2014)
o zé rebelo prepara o seu moliceirinho para a regata
eternidade breve

chama-se marta
nasceu no dia 20 de março
às 23 h 30 minutos
pesava 3,655 quilos
media 50,5 cm
isto não é um poema
é o meu sangue
noutro sangue
noutro corpo
inescrevível ser
é o tempo depois
de o meu tempo se acabar
a terceira neta
a terceira menina
e todas todas
são a primeira
são a minha
eternidade breve

(torreira; regata do s. paio; 2014)
partir

sentir com os olhos
ser o olhar
nada mais que isso
depois
como sempre
partir
que futuro aqui?

(torreira; regata s. paio; 2014)

o momento é agora
vive-o

(torreira; regata do s. paio; 2015)
assim o vento

marginal aqui, incomodo
sou o que o vento
levará ao mar
depois de tanta terra
o meu tempo é
não foi nem será
é
e serei nele
os que comigo
chego súbito
como quem parte
sem despedida
assim o vento

a bandeira da diferença
(torreira; regata das bateiras à vela; s. paio, 2014)

por onde andam que os não vejo?
escuto-me mais além
não oiço nada
parti-me sem saber

o tempo esse traidor
torreira; regata do s. paio; 2012)
é tarde

belíssimas aves estas
conheço os dias
pela inclinação do sol
sobre os ombros
há um sabor a sal
nos lábios
quando te digo
é tarde
e nada se repete

a ria sorri de as saber
(torreira; regata das bateiras à vela; 2010)
há janelas

como não sonhar com vistas assim?
há janelas com ambição
de terem portas
serem casa
sem saberem de paredes
alicerces chão
há janelas que se inventam

quisera da minha janela as visse
(torreira; regata s. paio; 2014)
a história não é estória

longe e perto
tenho o tamanho
que tenho
nem mais nem menos
saber o meu tamanho
é saber de mim
é essa a minha grandeza
não te temo por maior
que grande é o vendaval
e passa e morre e foi
digo-te que se quiser
terei o tamanho do tamanho
que tu tens e isso
faz de ti
alguém do meu tamanho
e de mim
um outro muito maior que tu
é com essa ilusão
de falsa grandeza
que do nosso prato
comes sentado à mesa
eu sei que vamos crescer
e papas na tua cabeça
comeremos mais uma vez
a história não é estória

é na meta que se vê o tamanho
(torreira; regata do s. paio; 2014)
um dia eu também

o “doroteia verónica” era assim
regressarei sempre
ao corpo
ao meu corpo ainda
esta coisa onde me
penduro
estendal de saberes
palavras sentires
por haver já
não muito para
uma folha caiu
levantou voo
ligeira uma ave
um dia eu também

um moliceiro é assim
(torreira; regata do s. paio; 2010)