os moliceiros têm vela (205)


abril vinte e quatro

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abril vinte e quatro
mil nove setenta e quatro
não sabíamos de amanhã
do amanhã que hoje
sabemos que ia ser

recordo os mortos nas
guerras criminosas no
silêncio das prisões às
mãos sádicas de não homens
que vimos condecorados
para nossa vergonha
depois de

abril vinte e cinco
quarenta e dois anos depois
é amanhã e podemos sair
à rua e por sermos mais de dois
não seremos presos

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(torreira; regata do s. paio; 2012)

postais da ria (155)


estar vivo é perigoso

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olhar para dentro de tudo

só te saberás
se tentares ser mais

o mais desculpas serão
para seres o de sempre

o do sofá da sala
do pão certo à hora certa
sobrevivente de ti

estou cansado até
ao mais fundo de mim
doo-me de tanto

estar vivo é perigoso

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fotografar é sentir com os olhos

(torreira; s. paio; 2014)

os moliceiros têm vela (197)


tudo são aparências

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o zé e o seu moliceirinho

é nos dias de calmaria
que nasce a tempestade

tudo são aparências

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de chapéu verde, o s. paio do zé rebelo

(torreira; regata do s. paio; 2014)

o zé rebelo prepara o seu moliceirinho para a regata

os moliceiros têm vela (196)


eternidade breve

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chama-se marta
nasceu no dia 20 de março
às 23 h 30 minutos

pesava  3,655 quilos
media 50,5 cm

isto não é um poema
é o meu sangue
noutro sangue
noutro corpo
inescrevível ser

é o tempo depois
de o meu tempo se acabar

a terceira neta
a terceira menina
e todas todas
são a primeira

são a minha
eternidade breve

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(torreira; regata do s. paio; 2014)