o meu país está doente


 

 

o meu país está

doente

sofre de carros de luxo

e de pés descalços

de digestões difíceis

e de falta de pão na mesa

 

o meu país

sofre de euro

receitaram-lhe troika

sofre ainda mais

 

o meu país

não é um mapa

na geografia do mundo

uma selecção no europeu

um jardim à beira mar

implantado

 

o meu país

é a sua gente

e é tão diversa a gente

do meu país

 

o meu país

são muitos dentro da geografia

a bandeira não cobre todos

quantos fariam dela cobertor?

 

(por)tu(gal)

trato-te por tu

andas descalço

desempregado

com reformas de miséria

com fome

revoltado e conformado

 

portugal

estás mesmo muito mal

portugal

tu és o meu país

mas escuta

não foi assim que te quis

 

portugal

porque é que o senhor presidente

não está também doente?

Divulgação pública da base de dados sobre os Avieiros, que foi o suporte do livro “Avieiros – Dores e Maleitas”


De acordo com o que fora prometido anteriormente, junto se anexa um ficheiro com toda a base de dados criada pela Dra. Lurdes Véstia, para fundamentar o seu estudo sobre as dores e as maleitas dos Avieiros, já pulicado em livro sob chancela da Âncora Editora.

A base de dados foi construída a partir da sistematização dos ficheiros do hospital da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, abrange o período que medeia entre 1858 até 1966, e comporta 691 registos.

De acordo com o seu Provedor, Eng.º Mário Rebelo, o acervo documental da Santa Casa da Misericórdia de Santarém constitui um património único. Ficará sempre incompleta a história dos últimos cinco séculos da região escalabitana, sem uma consulta a este acervo documental. Foi este valioso e importante legado documental, que está à disposição da comunidade em geral e, mais especificamente, da sociedade científica e académica, que proporcionou a investigação fundamentada e comprovada que levou à produção dos resultados que agora se apresentam nesta obra [“Avieiros – Dores e Maleitas”], que urge divulgar.

Dessa base de dados específica, os autores autorizaram que tivesse divulgação pública, o que agora fazemos.

As fichas foram extraídas directamente do software utilizado para a construção da base de dados, pelo que se apresentam em formato PDF, não podendo ser alterada a formatação. Desta forma a presente Folha Nº 19-2012 não apresenta a página de rosto como tem sido norma. Apesar de não sermos responsáveis por tal facto, apresentamos as nossas desculpas aos nossos leitores.

 

Gabinete de Coordenação

(Candidatura da cultura Avieira a património nacional)

 


Cultura Avieira – Um património, uma identidade
 

A celebração do 3º Dia Nacional do Avieiro, Barreira da Bica (Vale de Figueira-Santarém), 2012


Decorreu o 3º Dia Nacional do Avieiro, no dia 1 de maio de 2012, desta vez tendo como cenário a antiga aldeia de Barreira da Bica, situada na freguesia de Vale de Figueira, concelho de Santarém.

Contou com várias centenas de participantes, entre antigos pescadores, descendentes e seus familiares, convidados e entusiastas na divulgação e preservação da cultura desta comunidade. A comunidade Avieira encontrou-se de novo para celebrar anualmente e construir o seu projecto identitário.

Desses momentos inesquecíveis vos damos conta na presente Folha Informativa.

O gabinete de coordenação

(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)


Cultura Avieira – Um património, uma identidade

 FOLHA Nº18-2012_3º Dia Nacional do Avieiro_BARREIRA DA BICA[1]

companha do marco, em colaboração com jorge bacelar


são estes os heróis
que o hino canta

ainda o sol não nasceu
já o arrais lê o mar
na pauta das ondas
estuda ritmos e pausas
lisos, lhes chama

afinada a companha
estudada que está a sinfonia
todos a executam a seu mando
vão seguros
ao encontro do incerto pão

aprenderam a ler o mar
antes das primeiras letras
sem o saberem
deixam escrito na espuma dos dias
um canto imenso à grandeza
de ser homem aqui
onde por vezes parece que já não

Poema de ahcravo

 

 

para além de


torreira, marina dos pescadores

 

vejo-me ainda no olhar

o outro

nas palavras

nos silêncios

descubro-me e descubro

 

escuto-me

ouvindo

eu sou já o

cresci em mim

ao sê-lo também

 

nos que me rodeiam

sou

com o prazer

de me ser

não sei de solidão

somos muitos em mim

 

seremos ainda

quando um não for

assim a memória de um tempo

para além de

impublicável


o mar a meus pés

um dia ainda

vou escrever um poema

a publicar

nesse dia duvidem

que seja eu

outro por mim

certamente o escreveu

 

que a mim me basta

o espaço para que as palavras voem

e não se estatelem em folhas

de tiragem reduzida

de um autor desconhecido

mas

 

publicado

que a expensas próprias

vai ajudando a subsistência de editoras

de futuros ignorados

 

um dia vou escrever

um poema impublicável

mais um

3º Congresso Nacional da Cultura Avieira


Editor: Instituto Politécnico de Santarém
Coordenação: Gabinete coordenador do projecto
Ano 5; N.º 183; Periodicidade média semanal; ISSN:2182-5297; [N.9]

Integrando a 49.ª Feira Nacional de Agricultura, 59.ª Feira do Ribatejo, o CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas -, S.A. foi palco do 1º Fórum Ibérico do Tejo e do 3º Congresso Nacional da Cultura Avieira.

Com manifestações culturais paralelas decorrendo em simultâneo – do folclore à pintura, à fotografia, à arqueologia e às embarcações Avieiras e da Vieira de Leiria -, o Tejo foi a centralidade que congregou, durante dois dias, académicos e estudiosos, portugueses, castelhanos e galegos e uma das comunidades mais identitárias para a cultura das gentes taganas – a Avieira.

Destes eventos vos damos conta na presente Folha Informativa.

 

O gabinete de coordenação

(Projecto de candidatura da cultura Avieira a património nacional imaterial e da Unesco)

FOLHA Nº16-2012_1º Fórum Ibérico_3º Congresso da Cultura Avieira