o alar da manga do reçoeiro


 

joão rodinhas, ana amaral, alfredo amaral, ti miguel bitaolra e nicole (falecido)

joão rodinhas, ana amaral, alfredo amaral, ti miguel bitaolra e nicole (falecido)

 

 

sei que é do reçoeiro pelos membros da companha que estão a trabalhar, a contar da esquerda: joão rodinhas, ana amaral, alfredo amaral, ti miguel bitaolra e nicole (falecido).

a ana e o filho alfredo estão sempre no reçoeiro. para quem não conhece ninguém seria impossível dizer qual das mangas está a ser alada, mas se eu me enganasse, o alfredo dizia logo:

– oh! sr. cravo, então não sabe que eu estou sempre no reçoeiro!

é assim que se entra na companha

(torreira; companha do marco; 2010)

o soltar do arinque


marco valente

marco valente

os arinques são bóias amarradas aos calões e que servem para sinalizar o andamento do alar da rede. se paralelos ambos à linha da costa a rede vem direita e está a ser bem alada, se desalinhados é rede está a ser mal alada e o arrais coordena o andamento dos aladores, com sinais de boné, assobios ou por rádio, de forma a repor o paralelismo.

os arinques são soltos dos calões quando estes estão ao alcance dos camaradas de terra, por vezes, como neste caso, nem que seja preciso entrar um pouco por mar adentro.

 

torreira; companha do marco; 2010

 

chegar


 

arribar, barco de mar s. josé

arribar, barco de mar s. josé

 

(tenho tanto para te dizer

e tão pouco o tempo)

 

ninguém regressa a lado algum

chega-se sempre

não há regresso ao que era

porque já foi

a isso o tempo nos condenou

o tempo os homens a natureza

nós

 

chega

chegarás sempre

admira-te ou desilude-te

o teres chegado

é sempre espanto

 

( o barco aproxima-se da areia

os homens crescem para a terra

chegam)

 

(praia de mira; companha do zé monteiro; 2009)