os cisnes da ria


regata de moliceiros no bico, murtosa

regata de moliceiros no bico, murtosa

pisam um palco
que sempre foi seu
jardineiros de um jardim
ora submerso
ora flutuante

são os mais belos
barcos do mundo
as mulheres dos barcos
machos do mar

esbeltos oferecem-se
ao casamento manso com
as águas virginais
(em tempo diria)
da ria

são tão belos
quanto usados
e desprezados
pelos que os usam
como emblema
orgulho e amor de quem os tem
por filhos e amantes

os cisnes da ria
já são poucos
precisa-se de homens
com h

(bico; murtosa; regata de moliceiros)

porque ficaste na margem


joão manuel dias

joão manuel dias

o esgar vincado

na beleza deste rosto

fala de uma outra ria

da do sangue

que corre sobre as águas

e mergulha fundo

em busca do pão

 

o pão enterrado na lama

o pão que poucos amassam

que é dura

muita dura a faina

 

sempre que vires o nascer do sol

uma névoa a cobrir tudo

e tudo te surja carregado de beleza

postálica vendável em quiosques

popularizada em páginas de fotografia

lembra-te

 

lembra-te deste rosto

que não viste

porque ficaste na margem

(ria de aveiro; canal de ovar; torreira)

o alar das duas mangas (reçoeiro e mão de barca)


 

ahcravo_DSC_8963_alar _marco 10

 

neste registo vê-se em primeiro plano a “equipa” de alagem do reçoeiro e em segundo plano a “equipa” de alagem da mão de barca.

como a corrente dominante na costa ocidental é no sentido norte/sul e os lanços são feitos em sentido contrário à corrente (normalmente), ou seja em direcção ao norte, o reçoeiro fica sempre a norte e a mão de barca a sul.

a perspectiva é, assim, no sentido norte/sul

 

(torreira; companha do marco; 2010)