crónicas da xávega (42)


e as mangas estendem-se pelo areal, vazias, sem braços por dentro

e as mangas estendem-se pelo areal, vazias, sem braços por dentro

dos meus

algures terá havido um começo
um instante inicial em que
não sei como nem porquê
o primeiro arribou

terá encontrado meios de vida
pão para a fome e tecto ergueu

desconheço-lhe o nome
como quase todos os que
fundas raízes buscam
na vã procura do início

ser hoje aqui
é sempre ser o primeiro
ou não ser
mais do que a continuação

recuso ser mais um
mesmo se
podendo ser o último

ahcravo_DSC_9393_mão de barca_marco 14
(torreira; companha do marco; 2014)

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