a memória

o carregar do saco seco na zorra
a memória escreve-se
na areia e vai com o vento
não há malhas que a prendam
e tudo flui somando-se dias aos dias
assim sempre mesmo já quando
saber-lhes os nomes hoje ainda
é mistério que não entendo
aceito
como aceitarei
o não os saber
sei que o tempo
corre numa praia
por onde passo
e já tanto passei
olho tudo com a sensação
de que estive onde estive
sempre de corpo inteiro
assim como não estarei
(torreira; 2016)