os moliceiros têm vela (407)


pergunta ao mestre
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torreira; mestre zé rito; 2018

 
foram aprendizes nos estaleiros
dos mestres serviram
tudo fizeram que mandado fosse
 
não lêem os sofisticados desenhos
que vieram mais tarde
contar dos barcos a estrutura o ser
 
usam moldes e paus de pontos
saberes herdados na aprendizagem
não sabes o que são
pergunta ao mestre
 
poucos restam das antigas escolas
diria que uma mão de dedos cheia
basta para dizer quantos
 
por isso cada moliceiro fala do mestre
em silêncio
ou no símbolo que no leme o significa
 
não sabes o que é calafetar
pergunta ao mestre

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mãos de pescador
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torreira; 2006

há quem olhe para os carros, outros para a marca da roupa, outros para os rostos …. outros devoram com os olhos o que não comem
 
todos buscam o mesmo: conhecer
 
eu olho para as mãos e sei que aqui, aqui, encontro tudo.
 
as mãos do pescadores são rudes, gretadas, feridas, mas extremamente limpas.
 
são mãos que o mar lava e areia esfrega.
 
são mãos de trabalho, mãos de homens e mulheres que trazem nelas a história de uma vida, de um amor, de uma guerra, de uma faina,….
 
de uma gana de ganhar a vida no mar

“Considerações políticas sobre a beleza da mulher” de joao habitualmente


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“Considerações políticas sobre a beleza da mulher” faz parte do livro “poemas físicos da frente para a retaguarda na curva interior da estrada”