“Recriação da safra à moda antiga” – foto 2

em ano de covid, a preparação com todas as precauções que as boas práticas recomendam
“Recriação da safra à moda antiga” – foto 2

em ano de covid, a preparação com todas as precauções que as boas práticas recomendam
“Recriação da safra à moda antiga” – foto 1

no mês de agosto, na salina municipal do corredor da cobra, núcleo museológico do sal, nos armazéns de lavos, realiza-se a recriação da safra à moda antiga.
no passado dia 16 de agosto teve lugar a recriação de 2020.
os marronteiros com a ajuda de punhos, retiram o sal dos montes da última redura e carregam as gigas, que as salineiras (tiradeiras) levam à cabeça até ao armazém.
este ano, foram garantidas as medidas de segurança que o tempo exige e que podem ser vistas nas fotos que publicarei nos próximos dias.
nesta foto (primeira de uma série, que procurarei ser diária), feita antes da recriação, vê-se um marronteiro com os punhos
(salina do corredor da cobra; agosto; 2020)

este poema faz parte do conjunto “Heróicas” de 1936 – 1937 – 1938, inserto no livro “POESIA I”
s//t

de tudo o que vivi só posso dizer uma coisa vivi-o intensamente é de mim que falo quando semeio palavras por aí
carta aos donos da terra

ser do mundo cidadão é destino de quem nasce em pobres terras que mundo também o são ah donos da terra guardados os palmos de terra na terra de que donos vos dizeis só essa vossa será porém a ela fugis porque de tão vossa a não quereis à terra o que da terra é digo terra que vos ofereço para que seja toda vossa e nela vós todos que donos sois quereis a paz aí a tereis

o poema “Álbum” faz parte do livro ” Manual de Cardiologia”

do livro “A solidão é como o vento”, concebi três leituras, esta é a segunda
morreu ontem, 15 de agosto de 2020, o ti zé formigo (67 anos)
era um bom amigo, do que lhe conhecia, admirava a dedicação à esposa – em cadeira de rodas – e a alegria
tinha defeitos? quem não tem… fico triste e penso que a murtosa também
à família, em particular à esposa, o meu silêncio com um sorriso do ti zé dentro – lembrá-lo-ei sempre assim

ao ti zé formigo
não ti zé
não estou na murtosa
nem você agora
era nas regatas de moliceiros
ou bateiras
ou no são paio
que nos encontrávamos
havia sempre um abraço
um sorriso uma salvação
uma salvação ti zé
agora que ninguém o salva
lembro-me do tempo
em que na murtosa
as pessoas se salvavam
vão partindo os amigos
a família desse tempo
e eu vou partindo aos poucos
bocados de mim que se foram
pedaços de outros
que comigo ficam e são raízes
ti zé
você é uma raiz
que fica comigo
abraço do “senhor cravo”

(murtosa; 2019; figueira da foz; 2020)


o poema “”Nova carta aos psiquiatras” faz parte do livro “Corpo Cru”