o que é só o é
porque deixou de ser
porque é não o quero
lembrar quando já não
recuso-me a ver
o que é por não ser
gravado na memória
o que foi permanece
os mortos não falam
e eu oiço
ouvirei sempre
porque vejo diferente
escrevo-te de dentro
do silêncio
apenas os pássaros
da vizinha
cantam
silencioso escrevo-te
de dentro do silêncio
digo-te
ouvir uma porta bater
é sinal de vida
dos amigos chega
pelo telemóvel
a voz o abraço
é esta a estória
destes dias
é quando o vento sopra forte
que das árvores caem
ramos folhas frutos
alguns vermes
é quando o vento sopra forte
que as gaivotas pairam
poisadas no vento
por sobre o mar
é quando vento sopra forte
em dias de sol que se faz
mais sal no talho
mas não flor
(salina do corredor da cobra; armazéns de lavos; agosto; 2020)
com esta publicação termina a série de fotos em que pretendi mostrar a “Recriação da safra à moda antiga”, organizada em agosto de 2020 no ecomuseu do sal, nos armazéns de lavos.
esta série só foi possível graças a três factores – trabalho, amizade e sorte – e a três pessoas – santos silva, margarida perrolas e gilda saraiva.
esparsamente irão aparecendo outras fotos deste evento mas sem o carácter que a série revestiu.
o meu abraço a todos os que com a sua amizade me permitiram fazer estes “bonecos”.
na foto os marnotos (marronteiros) e os montes de sal