crónicas da xávega (563)


crónicas da xávega (563)

no passado domingo dia 26 de maio, estive em Sôsa, no lançamento do livro “apetece outro trago” de manuel almeida freire, no café São Miguel.

pendurado por uma mola numa das prateleiras atrás do balcão um jornal com uma foto de primeira página que chamou a atenção: uma junta de bois e arte-xávega. o jornal: “O ponto”, o artigo …

contactei o jornal para saber se me cediam o link da notícia integral, era domingo mas vá lá um reformado saber que dia da semana é.

telefonaram hoje. a menina que fez a ligação e a quem manifestei o meu interesse e pedi que o transmitisse a “quem de direito”. prometeu-me que sim. fico a aguardar.

aos que tudo querem e nada fazem, os que pouco são mostram-se gigantes.

(recriação da xávega com bois; canga vareira; espinho; 2012)

os moliceiros têm vela (536)


conheço a superfície das palavras 
tão mal como me conheço a mim mesmo
o mais deixo que o estudem os espeleologistas
sou apenas a folha que o vento leva
não a rocha que o tempo marca

(moliceiro; aparelhar da vela; regata do emigrante; cais do bico; murtosa; 2020)

os moliceiros têm vela (535)


não não pode

dentro
de um punho cerrado
a força do humilhado

não não pode

imbecil o que diz serem
imbecis
aqueles com que não
concorda
“ser poeta é ser mais alto”

não não pode

(moliceiro; aparelhar da vela; regata do emigrante; cais do bico; murtosa; 2020)

os moliceiros têm vela (533)


à minha porta
há

os que não passam
os que passam e seguem
os que deixam um bilhete
os que batem e dizem bom dia

e
os que na minha porta
escrevem o que não fazem na sua

a minha porta é
um espanto

(moliceiro; aparelhar da vela; regata do emigrante; cais do bico; murtosa; 2020)