espero
sempre
um raio de luz
na noite mais negra
mais fria
aqui jazz aceso
espero
sempre
um raio de luz
na noite mais negra
mais fria
aqui jazz aceso
de oiro as palavras
te levaram
hoje negras
desditas
escreve sobre a água
a limpidez das ideias
lava-as
a lama cobre o fundo
da ria
assim também
vais descobrindo
o para além das palavras
que te disseram
poisada nas águas mansas
da ria
uma bateira acorda
e tu?
(ria de aveiro; torreira; marina dos pescadores)
todas as falas
são fala de vida
grito imenso
pintando de sons
o silêncio dos dias
dizer noite
procurar palavras
sedosamente
adormecer-te dentro delas
essa a música
basta pum basta!
uma geração, que consente deixar-se representar por um coelho é uma geração que nunca o foi! é um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos! é uma rêsma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!
abaixo a geração!
morra o coelho, morra! pim!
uma geração com um coelho a cavalo é um burro impotente!
uma geração com um coelho à proa é uma canôa uni seco!
o coelho é um cigano!
o coelho é meio cigano!
o coelho pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquezas!
o coelho é um habilidoso!
o coelho veste-se mal!
o coelho usa ceroulas de malha!
o coelho especúla e inócula os concubinos!
o coelho é coelho!
o coelho é júlio!
morra o coelho, morra! pim
…….
escrevo agora
olhando o que não vejo
sinto apenas
e isso é muito
se o tempo
fosse
sem ter ido
verão seria
ainda
resta a música
pendurada do sol
estou nu
tremo
visto-me de ria
sorrio
sou rio
aqui onde ele