poesia
para nelson mandela
uma corda
desce pela parede
dos dias
um raio de sol
espreita
por entre grades
o cimento
cheira a homens
cheira a suor
a sangue
a luta
negras
as vozes erguem-se
nas ruas
os corpos movem-se
ao sabor de danças guerreiras
herdadas
jamais roubadas
sonegadas
branqueadas
pedra a pedra
o cimento caiu
a luz entrou
o muro ruiu
a luta
ainda não terminou
mas o teu dia
madiba
é O DIA
efémero
quando o mar trabalha na torreira_flávia

sou a que nunca ficou em casa nunca foi ao mar sou a que ajuda a empurrar o barco a que o espera em terra sou a que escolhe o peixe e entre duas picadas de peixe aranha se levanta e nasce na areia um outro rio sou a mãe a mulher a filha a viúva sou a mulher da arte que a arte não lembra
(torreira; anos 90)
quando o mar trabalha_incerto fruto
antologia de poesia luso_brasileira comigo dentro
das redes e seus instrumentos
quando o mar trabalha
cândida
ao longe a esperança começa a nascer o barco lançou o saco inicia o regresso trará a rede peixe ? do mar o incerto pão nem sempre mata a fome paga o esforço o suor as gargantas secas de tanto gritar não somos dos que desistem enquanto houver sol e o mar permita o barco partirá sempre em busca do peixe do pão que o mar dá
(torreira; séc XX)










