poesia
de tanto amar
história sem história
acordam o sol

acordam o sol põem a mesa o pão o café o mais se houver levantam-se carregam a enxada limpa da terra de ontem palmilham caminhos sacham cavam regam dobradas as costas ao peso do sol e da idade deitam-se com o sol que com ele se ergueram irmãs de ser hoje mais um dia
(louriçais; eira pedrinha; 2005)
eugénio de andrade – poema à mãe
meu nome é boi
meu nome é boi
nosso nome é junta
puxamos barcos e carros
carregamos peixe e redes
carne e músculos tensos
olhos desmesuradamente grandes
mansos até ao inadmissível
juntos
somos força somos junta
somos bois
sozinhos
no talho no mercado
esquartejados em carne viva
somos vaca
boi é e não é
é sempre o homem que decide
(torreira; séc. XX) – do meu livro “quando o mar trabalha“
o risco
das janelas
bem hajas, meu filho
a minha gente

a minha gente
trabalha duro
como duro é o pão
que muitas vezes come







