(eira pedrinha; 2005)
o tempo me trouxe o tempo me levará o que encontrei aqui ficará adubo serei desta terra que amei
(torreira; anos 90; a espera para ver e comprar)
virado para o mar olhando o longe recordo o ti borras pescador de outros tempos do barcos de quatro remos de tantas juntas que não conhecia mar que o impedisse de trabalhar se o mar fosse de vinho ia a pé até à américa dizia recordo o ti borras pescador e senhor dos mares recordo e não vejo lembrança dele ficou um beco com o seu nome que se apagará no tempo que começa a apagar-se o tempo não pode ser deixado a si próprio ainda não atingiu a maior idade
(o guiador da bicicleta; murtosa; s/d)
guiador guia-me ensinou-me a amar a ria de miúdo levava-me pelos canais da palavra ensinou-me o valor da verdade ensinou-me a dizê-la dos homens o respeito e o amor ao próximo em 1978 partiu a mim só me deixará quando eu partir também quando com ele bom dia senhor césar e companhia assim cresci na murtosa salvé césar gorim
(alberto estrela; torreira; 2006)
boa noite estrela soube pelo teu filho você deve conhecer o meu pai o estrela a frase continua a martelar-me a cabeça que tinhas partido ninguém sabe para onde mas todos sabem que não voltas sabes estrela a vida é feita de encontros e desencontros nós há muito que não nos encontrávamos vinha e não te via e pensava está para o mar era normal e vai continuar a ser normal porque para mim estrela tu estás no mar e é por isso que não nos encontramos um abraço do teu amigo cravo