o tempo é pouco

o ignorante
não sabe que não sabe
o sábio
sabe que não sabe
os que não sabem
nem querem saber
ensina o sábio
que se ignorem
o tempo é pouco

(torreira)
o tempo é pouco

o ignorante
não sabe que não sabe
o sábio
sabe que não sabe
os que não sabem
nem querem saber
ensina o sábio
que se ignorem
o tempo é pouco

(torreira)
por vezes leio jornais

cabrita de pé
sei que são muitos
sei que fazem desta arte
modo de vida uns
de sobrevivência outros
de opulência poucos
sei que são muitos
mas que cada um
é um não é todos
sequer muitos
quisera alguns
sei que não sei nada
mas oiço muito
leio um pouco
aprendo todos os dias
sei que nada sei
mas o que não sei
que não sei
é muito mais que
tudo o que sei
e assusto-me
com tanto
sei que eles sabem
sei que se queixam
sei que nada fazem
sei como são
eles também
e há quem saiba muito mais
eu?
eu só tiro fotografias
por vezes leio jornais

muito dura a arte da cabrita
(torreira; cabrita de pé)
monólogo do moliceiro

o moliceiro “Zé Rito” já na frente
só o vento
sabe porque vou resistindo
só o vento
e os homens que o meu nome
carregam

e ficou em 4º lugar
(regata da ria 2016)
boas fotos

chegaste agora
não sabes os nomes
não conheces as histórias
trazes contigo uma máquina de fotografar
olhas e encontras o motivo
disparas repetidas vezes
gostas do que viste e registaste
ignoras tudo o que para além do registo
desfrutas do olhar e sorris
quando lês o exif
e se
a perspectiva real for inversa da registada ?
e se
aquele homem ao fundo tiver nome ?
e se
o que ele traz no braço for parco para tantas horas
de esforço quase insuportável ?
e se
em vez de olhares e fazeres (digo eu)
um registo interessante de perspectiva
procurasses respostas para o que registas ?
então
não estarias aqui de férias em busca de imagens
serias mais um na comunidade e isso
meu amigo aqui pode ser perigoso
boas fotos

(torreira; junho; 2016)
falo do tempo

a nortada leva o tempo
vive
hoje
amanhã
é ontem
vive

se há beleza é porque a vês quando olhas
(torreira; regata da ria; 2016)
sei lá

a rapar na lama para apanhar berbigão
mal me quer
bem me quer
sei lá

apenas a beleza
(torreira; junho; 2016)
obrigado ti abílio, obrigado reinaldo

o moliceiro “Dos Netos” do ti abílio carteirista
com este apontamento, encerro o ciclo dedicado a algumas meditações sobre as regatas da ria em geral e da de 2016, com maior detalhe.
haja futuro para os moliceiros.
não podia deixar de abraçar aqui um moliceiro em particular: o meu amigo ti abílio carteirista, decano da regata – fará 80 anos este ano e está aí para as curvas.
depois de receber, como todos os moliceiros que participaram na regata, a medalha a que tinha direito, o ti abílio veio direito a mim – eu não tinha almoçado com eles – e ofereceu-me a medalha que era dele. de imediato o reinaldo belo, que conheci nesta regata, me ofereceu a dele também.
tudo decorreu sem espaventos, com simples troca de abraços entre amigos.
mas quero dizer-lhe, ti abílio, e a si também, reinaldo belo, que não tenho palavras para o vosso gesto.
por mais distinções que tenha tido ao longo da vida, nenhuma é maior e mais valiosa que estas ENORMES medalhas que guardarei comigo.
bem hajam os dois
em agosto, no bico, lá estaremos

na regata são permitidos 3 tripulantes por barco, ao ti abílio, a fazer 80 anos, basto ele e mais um
(ria de aveiro; regata da ria; 2016)
pensar o futuro apoiando os moliceiros

nas velas dos moliceiros a memória de um povo
como já escrevi em publicação anterior, dos cerca de 17.000 euros que anualmente a comunidade intermunicipal da região de aveiro (CIRA) afecta à realização da regata da ria, por vezes nem 50% chega às mãos dos moliceiros – fica na organização.
não questiono porque é que a câmara municipal da murtosa pode organizar duas regatas por ano, sem precisar da intermediação de uma organização, seja de que tipo for, e a CIRA não o pode fazer; não questiono porque é que não o podendo fazer, não delega a sua organização na câmara da murtosa, que tem experiência suficiente nesta área.
não questionando nada disto e pensando somente na boa gestão do dinheiro de todos nós e na sua entrega a quem o merece, há que pensar em alternativas que, não aumentando significativamente, ou mesmo nada, façam com que a verba proveniente da CIRA e destinada aos moliceiros seja bem gerida.
uma primeira hipótese, e já a propus em sede própria, seria a atribuição de um apoio anual por cada barco, com condições a definir.
outra hipótese, e hoje inclino-me mais para esta, seria a realização de uma regata de competição, no terceiro domingo de agosto.
porquê esta data? em princípios de julho há a tradicional regata da ria, na primeira semana de agosto a regata do emigrante -no cais do bico – e na primeira semana de setembro a do s. paio, na torreira. assim na terceira semana de agosto, época alta, uma regata de competição animaria mais uma vez a ria.
para a regata de competição que proponho, e para efeitos de cálculo de custos, parti do seguinte cenário, optimista, em 2017:
classe A – 9 moliceiros (mais 1 que em 2016)
classe B – 3 moliceiros (os mesmos de 2016)
verba para a organização das duas regatas: 2.000 euros
financiamento garantido :
transferência de 17.000 euros (números redondos) da CIRA. não haverá possibilidade de angariar outros apoios financeiros junto de entidades privadas ou mesmo públicas?
a minha proposta é então a seguinte:
regata de competição
prémios
classe A : 1º- 1.000 euros; 2º – 900 euros; 3º- 800 euros; 4º – 700 euros; 5º – 600 euros; 6º ao 9 º – 500 euros
classe B – 1 º – 500 euros; 2º – 400 euros; 3º- 300 euros
valor total dos prémios: 7.200 euros
a regata da ria, tradicional, com este número de barcos e tendo como referência os valores de 2016, transferiria para os moliceiros, mais 700 euros – mais 1 moliceiro da classe A – ou seja, 9.700 euros.
valor total a ser entregue aos moliceiros nas duas regatas: 16.900 euros
valor, razoável, a atribuir à organização : 2.000 euros
valor total: 18.900 euros
ou seja, com mais 2.000 euros, do que o normalmente afectado pela CIRA à regata da ria, faz-se mais uma regata e distribui-se pelos moliceiros o que que lhes é devido; dá-se uma verba que é, na minha opinião, suficiente e deixa margem à organização, e anima-se em pleno agosto a ria de aveiro.
a proposta aqui fica. será difícil conseguir os 2.000 euros a mais? por 2.000 euros não haverá quem organize as duas regatas?
quem não quer mais uma regata de moliceiros em pleno agosto?

haja quem queira, que há quem faça as velas povoarem a ria
(vela de moliceiro)

cavilha de madeira no casco de um moliceiro
vamos às contas (para que fique escrito)
…………….
“…. 16,930€ acordados para a regata de 2015, …… valores similares pagos aos moliceiros, quer em 2013, quer em 2014, rondando os 50.000€….. “
(extracto de um documento que tenho em minha posse)
………….
sublinho a afirmação “valores similares pagos aos moliceiros”, afinal os moliceiros não têm razão de queixa, ou será que há aqui alguma confusão.
melhor seria aclararmos um facto: há os valores pagos aos moliceiros e os valores entregues à organização da regata da ria.
separemos os valores.
partindo de informações que obtive junto dos moliceiros concorrentes e somando:
pagamentos aos moliceiros
2014 – prémios de presença: 6.000 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 550 euros. EM 2014 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 7.550 EUROS!!!
2015 – prémios de presença: 6.000 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 600 euros, prémio tradição: 800 euros. EM 2015 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 8.300 EUROS!!!
2016 – prémios de presença: 6.600 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 600 euros, prémio tradição: 800 euros. EM 2016 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 9.000 EUROS!!!
pagamentos à organização
de acordo com o documento citado no início, foram perto de 17.000 euros ano, podemos partir de princípio, até prova em contrário, que em 2016 o valor terá sido o mesmo.
fazendo umas fáceis contas de subtrair, pode-se ver com quanto poderá ter ficado a organização da regata em cada ano: 2014 – cerca de 9.500 euros; 2015 – cerca de 8.700 euros; 2016 – cerca de 8.000 euros
para receber tanto dinheiro, a organização deve ter encargos muito grandes com a regata, não acham? mas encargos com quê?
2 almoços (para os concorrentes)
seguros
licenças
medalhas e taças
outras despesas
será que alguém acha que estes encargos chegam perto de 1.000 euros? e mesmo se chegarem a 2.000, um absurdo, ainda fica muito dinheiro. façam vocês as contas que eu não sou capaz, não é uma questão de matemática, é de princípios.
QUEM É QUE QUER CONCORRER À ORGANIZAÇÃO DE UMA REGATA DA RIA? SÃO VALORES INTERESSANTES QUE FAZEM SEMPRE FALTA A GENTE DESINTERESSADA.
(desculpem, esqueci-me de uma coisa, se calhar não é por concurso, estou cada vez mais cego)

parabéns zé rito, bravo maria emília prado e castro
classificação da prova de pintura de painéis:
1º Zé Rito
2º Marco Silva
3º O Amador
4º A. Rendeiro
5º Sermar
no final da decisão do júri, foi entregue pela organização a totalidade do valor devido aos donos dos moliceiros, pela participação e competição ( regata e painéis). foi cumprido o prometido.
não houve alteração de valores em relação ao ano passado – eu esperava algo mais, mas quem me manda a mim sonhar? – e na regata só houve prémios monetários até ao 3º classificado, quando o usual era ir até ao quinto.

maria emília prado e castro a escoar o S. Salvador
mas na publicação de hoje, sobre a regata da ria de 2016, queria contar-vos a história de um barco, o S. Salvador.
construído pelo mestre antónio esteves ( pardaleiro) para a junta de freguesia de s. salvador, ílhavo – penso que em torno de 2010 – chegou a participar em algumas regatas, com tripulantes locais.
em 2013, depois de reparado e aparelhado por marco silva, participou na regata da ria e venceu-a, tendo como arrais marco silva.
em 2014, por dificuldades financeiras não participou em qualquer regata e, comprado em hasta pública por miguel matias, só viria a participar na regata da ria 2015.
em 2016, foi vendido por miguel matias a maria emília prado e castro, que lhe botou vela e participou na regata, com o apoio de alfredo rebelo e sérgio silva, garantindo um honroso 5º lugar.
é para ela o meu bravo, à mulher que sentiu que um verdadeiro moliceiro é para ter vela e andar na ria.
bravo, maria emília prado e castro, dona de um moliceiro, que não tem medo de pegar num vertedouro e escoar água do seu barco. uma mulher assim, só pode ser admirada por todos os que amam os moliceiros tradicionais e entendem que a história se faz todos os dias e por cada um de nós.
acho que posso falar por todos os moliceiros se disser de novo:
BRAVO! MARIA EMÍLIA PRADO E CASTRO
(nota, a breve história que aqui apresentei do S. Salvador, poderá ter alguns lapsos de datas, por falta de elementos concretos e atempados, mas não andará muito longe da realidade)