crónicas da xávega (490)


lembro os dias a luta
a indecisão de
o não saber como
a aceitação a revolta
as divisões a impotência

as armas e os barões
gordos e guardados
protegidos afilhados

um tempo gordo bolorento

lembro os dias da decisão
das armas roubadas aos barões
dos canhões à praça virados
da festa da liberdade

tempo de cravos na mão

foram-se as armas
ficaram os barões e os afilhados
livres as palavras e o engano
livre tu para recusar e seres

ainda não é pleno o nosso tempo
xávega; torreira; muleta; 2010

crónicas da xávega (489)


sê grato às portas que te abrem
e às que te fecham também

ser de todos é não ser de ninguém
de ti primeiro que todos quiseste ser

fizeste-te dizendo não calando
disseste presente ao mau tempo

sê grato às portas que se fecham
e às que te abrem és tu em todas

sê grato à diferença
como o vento despenteia as ondas
torreira; 2010; a escolha

a memória dos dias 19012011


agostinho trabalhito

do agostinho trabalhito (canhoto) muito haveria que contar, mas fico-me pelos últimos anos.

trabalhou na companha do falecido zé murta e trabalha agora na companha do marco. a corda ao pescoço serve para atar a manga antes do calão e, assim, impedir que alador “coma” e quebre o calão.

pelo caminho lavou pratos num restaurante e dedica-se à pesca à cana (ainda de bambu) para apanhar peixe mais “grosso” que aumente a dispensa da família ou para vender aos restaurantes.

dos muitos irmãos que tem não posso deixar de recordar dois já falecidos: o zé trabalhito e ti antónio trabalhito, ambos homens de mar, ambos homens da torreira

( torreira_companha do marco_2010)