
“Quando começa o Inverno na ilha ….” é a introdução ao capítulo 8 do livro “o refúgio das mulheres tristes” de marcela serrano

“Quando começa o Inverno na ilha ….” é a introdução ao capítulo 8 do livro “o refúgio das mulheres tristes” de marcela serrano
raízes

apertam-se as mãos e são letras de palavra dita palavra honrada homens grandes frontais de olhar límpido mãos enormes corações foram eles o vento que enfunou as velas do meu estar com eles naveguei por outras terras e regressei sempre às raízes
(a história dos moliceiros, homens e barcos, pode escrever-se com esta imagem:
a palavra dada era palavra honrada, selada no aperto de mãos.
isso aprendi quando me fui fazendo por estas bandas, onde homens de palavra apertavam as mãos.
conheço estas duas mãos, são de dois grandes amigos moliceiros: ti abílio e ti zé rebeço, os dois moliceiros mais antigos da ria.
o ti abílio já vendeu o moliceiro e o ti zé não sabe quanto mais tempo terá forças para o seu.
saber sair é um acto de sabedoria e eles sabem-no.)

“GRAFITO” é uma plaquete da autoria de carlos nogueira e inês dias
dez anos

dez anos é muito tempo ou foi ontem

o poema “Contrato Social”, está publicado no livro “La mariée mise à nu”
enredado

encontrar a primeira malha seguir o rasto ao fio caminho inverso ao da agulha depois da primeira muitas mais fizeram a rede mas essas vieram depois encontrar a primeira malha é contar a história da rede da rede toda a começar pelo fim minuciosos os dedos são a ferramenta primeira na escolha cuida deles como da verdade encontra a primeira malha ou em vez de redeiro serás enredado

o poema consta do livro “Já não me deito em pose de morrer”, [poemas escolhidos]

a “Carta-poema a Eugénio de Andrade” faz parte do livro “TRÊS SOLIDÕES” , constituído por três cartas-poemas, a Mécia de Sena, Eugénio de Andrade e Herberto Hélder.
2 de setembro de 2016

como já escrevi na primeira publicação desta série, a minha era digital na xávega começou em 2005 e, na torreira, por motivos vários, terminou no dia 2 de setembro de 2016 – doze anos a registar fotográficamente, e não só, a xávega na torreira
a foto que publico hoje é a “última foto que fiz no mar da torreira”.
como não acredito em coincidências, entendo que o facto de nela aparecer o meu grande amigo agostinho trabalhito “canhoto” não é acaso, tinha de ser.
lembro uma história breve da nossa amizade e que diz tudo.
“um dia, disse-lhe que quando morresse as minhas cinzas iriam ser deitadas ao mar. ao ouvir isto o agostinho, com a maneira de falar que o caracteriza, exclamou:
ah! cravo. eu nesse dia não bou ao mar!“
2005, murtas a labuta continua

em 2005 continuava a trabalhar na praia da torreira a companha dos murtas, com o barco olá sam paio.
dos irmãos zé e antónio murta. o antónio era mais o homem de mar e o zé o de terra. creio que é em 2005 que falece o antónio em naufrágio à beira praia.
era, e é, opinião minha, uma companha familiar – da propriedade à própria composição da companha.
para além dos arrais e donos, não posso deixar de me lembrar da marlene, filha do zé, que era a responsável pela “contabilidade” da companha, e do redeiro, ti caetano da mata.