
torreira; safar redes; 2019

torreira; safar redes; 2019

praia de mira: 2008
erguem-se de madrugada
um pedaço de broa
café
o desjejum parco
rápido
que o arrais deu ordens
de mar
repousam
o corpo gasto
à sombra dos aparelhos
enquanto ordens
não chegam
(são pescadores
sempre o foram
mesmo quando
não o eram)
da memória

serra da gralheira; macieira; 2008
tempos houve em que frutos
folhas sombra

serra da gralheira; macieira; 2008

ereira; 2009

macieira – serra da gralheira – s. pedro do sul -2009
exíguas casas
rudes paredes
sobre folhelho os corpos
cortante o frio
neles entranhado
e… partiram

condeixa-a-nova
o sector financeiro está em crise
e a indústria da guerra?
o sector automóvel está em crise
e a indústria da guerra?
o sector da construção está em crise
e a indústria da guerra?
deixem as pombas voar
(procuro urgentemente
no mercado
um produto que traga na etiqueta:
“made in israel”)

condeixa – orelhudo
vêm do campo
tamancas com sola de terra
mãos com luvas de calos
couves, feijão, agrião
cavar, regar, sachar
suar, costas curvadas
submissas não
aqui o pão
nasce na terra
entram em casa
descalços
para serem de novo

torreira; 2008

torreira; 2008

(torreira; manel caldinho; 2007)
hoje a minha neta carminho fez 4 anos

telefonei-lhe e perguntei-lhe quem era eu
resposta: é o tó-zé
– e quem é o tó-ze?
– é a mãe da minha mãe
então fui mãe por uns momentos e tão feliz de o ser.