“SERMONES Y PREDICAS DEL CRISTO DELQUI” (introdução) faz parte da antologia poética “ACHO QUE VOU MORRER DE POESIA”
ahcravo gorm
“Deram-me tudo …” de maria eugénia cunhal
o poema “”Deram-me tudo …” faz parte do livro “HISTÓRIA DE UM CONDENADO À MORTE”
(nota: o livro-poema é editado em 1983 e o nome do condenado à morte é antónio. maria eugénia cunhal, irmã mais nova de álvaro cunhal, terá quatro ou cinco anos, quando em 1932, morre jovem o irmão antónio. será este livro, o segundo livro de poesia da autora, dedicado ao irmão no cinquentenário da sua morte? aos estudiosos aqui fica a questão)
os moliceiros têm vela (445)
“Hölderlin_9” de manuel silva-terra
“Hölderlin” é um poema-livro do qual irei fazendo leituras de colagens que me pareçam congruentes
postais da ria (389)
caminho andado
caminho descalço pelos dias de estar aqui olhos abertos como mãos em tempo de fruta madura caminho descalço dorido de tantos cacos pedras vidros pregos recuso o conforto da cegueira auto imposta felicidade falsa de luas inventadas doem-me os olhos de ser

para mim será sempre o fausto
fausto bordalo dias no programa “primeira pessoa” da rtp
https://www.rtp.pt/play/p7801/e543401/primeira-pessoa
(antes de ler o que segue, aconselho a assistir à entrevista clicando no link acima)
foram sem dúvida momentos que me emocionaram ao ver e ouvir o fausto e que me entristeceram ao ouvir fausto bordalo dias. vi o cantor que admiro há muitos anos a necessitar de se apoiar numa fátima campos ferreira para caminhar, vi e doeu.
depois ouvi fausto bordalo dias falar por entre o fausto, e essa é outra tristeza, um homem lúcido pois assume, quase no fim da entrevista, que o que vai dizer vai desagradar a muita gente. mas é, também, quase de início que o faz.
atento que sou às palavras, cujo valor e significado tanto diferem consoante o por quem, o onde e o como, aqui ficam algumas breves meditações suscitadas pelas palavras de fausto bordalo dias.
minuto 05:43 “no planalto do Huambo, numa cidade que se chama Nova Lisboa, ou que se devia chamar ainda Nova Lisboa … “
que fausto bordalo dias se manifeste em relação a alteração de denominações de terras e monumentos no pós 25 de abril em portugal, é algo que como português, concordando ou não, lhe reconheço o direito de o fazer. mas manifestar-se em relação à designação atribuída a uma localidade que não é do seu país …. ele que no minuto 37:54 afirma ” eu não sou nacionalista, sou um patriota “, não reconhece aos patriotas de outras pátrias o direito de o fazerem!
no minuto 26:32 “Cabo Verde não existiria como país independente se Portugal não tivesse levado para lá pessoas. Vou-me atrever a dizer que muitos países africanos foram mais felizes com Portugal – infelizmente felizes com Portugal -, do que agora. Ou seja, quando uma independência não concorre para a felicidade dos povos alguma coisa está errada. “.
mais afirma no minuto 27:14, referindo-se aos povos da ex-colónias, “Eles viveram mais felizes antes da independência do que vivem agora. Eu sei que isto desagrada a muita gente mas é verdade“
não saindo do contexto do dito na entrevista, não deveria fausto bordalo dias, arrepender-se de, como disse no minuto 14:44 “fui considerado refractário” – ou seja, não foi à guerra, onde morreram 8.600 militares portugueses – e reconhecer que deveria ter participado no ‘esforço nacional de manutenção do império’?
para concluir uma nota breve sobre a sua demarcação em relação à “canção de intervenção”, afirma no minuto 16: 04 “era a canção de protesto, que a canção de intervenção é depois do 25 de Abril. porque a canção de protesto era essencialmente metafórica …”
curiosamente, do meu ponto de vista, a primeira música de intervenção de cariz ecológico é a “Rosalinda” do fausto, estávamos em 1976, havia uma central nuclear pensada para “ferrel, lá para peniche” e fausto escreve e canta:
Rosalinda se tu fores à praia se tu fores ver o mar cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar a branca areia de ontem está cheinha de alcatrão as dunas de vento batidas são de plástico e carvão e cheiram mal como avenidas vieram para aqui fugidas a lama a putrefacção as aves já voam feridas e outras caem ao chão Mas na verdade Rosalinda Nas fábricas que ali vês O operário respira ainda Envenenado a desmaiar O que mais há desta aridez Pois os que mandam no mundo Só vivem querendo ganhar Mesmo matando aquele Que morrendo vive a trabalhar Tem cuidado... Rosalinda se tu fores à praia se tu fores ver o mar cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar Em Ferrel lá p´ra Peniche vão fazer uma central que para alguns é nuclear mas para muitos é mortal os peixes hão-de vir à mão um doente outro sem vida não tem vida o pescador morre o sável e o salmão isto é civilização assim falou um senhor tem cuidado..."
nota (1) – por poder ser considerado polémico o que escrevi, agradeço que quem não estiver de acordo o manifeste
nota (2) – fausto bordalo dias não está senil, nem foi corajoso, atingiu apenas a idade em que nós portugueses achamos que “podemos dizer tudo”
“Menina dos olhos tristes…” de reinaldo ferreira
crónicas da xávega (376)
obrigado eugénio
dizer o teu nome dizer tantas vezes a mesma palavra até ela perder o sentido a sua ligação com o nomeado dizer como é doloroso o parto das palavras que ainda não disse ou se disse como as escrevi dizer tanto em tão pouco ser imenso e ínfimo límpido e complexo escrever “com palavras amo” e escutá-las na boca do outro
” as lágrimas … ” de isabel mendes ferreira
o poema ” as lágrimas … ” faz parte do livro “As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar”
“O VASO” de luís filipe parrado
o poema “O VASO” faz parte do livro “ENTRE A CARNE E O OSSO”



