
safar as redes da solheira
quando a mulher é camarada
(torreira; 2016)
álvaro gavina e paula

safar as redes da solheira
quando a mulher é camarada
(torreira; 2016)
álvaro gavina e paula

henrique pai e henrique filho, brandões (gamelas)
o tempo tudo julga
e a seu tempo
dirá de sua justiça
o tempo julga
à velocidade
da justiça portuguesa
em sede de recurso
se acaso houvesse
seria de mortos a demanda

os henriques brandão, pai e filho
(torreira; cirandar)
parabéns amélia

o silêncio ouve-se
um alarme soou
no telemóvel
a minha memória
depende dele
mas
hoje não te telefono
sei que não atendes
não atenderás mais
escrevo-te
ouço-te vejo-te
resistes
com a energia
que só tu
“por favor
não me ponham de baixa”
não
não foste tu que desististe
tu nunca desististe de nada
foi a vida que desistiu de ti
parabéns amélia
quero que saibam
que hoje fazes anos

um postal para a amélia
(torreira)
não merecem

a alar a solheira
fizeram-se homens
ainda crianças
na escola dos barcos
fazem de cabeça
as contas
das malhas das redes
nunca têm nos bolsos
quanto baste
para poderem dizer
vou de férias
partem para longe
vão de viagem
em busca do pão
que a ria nega
o comprador não dá
sei deles o suficiente
para vos dizer
não merecem

não ser de oiro a pescaria
(torreira)